Crítica: “Gritos 4”, o regresso do medo e do sucesso

Com uma intensidade e mistério extremamente fiel aos originais, Gritos 4 marca o regresso de Wes Craven aos slasher films de maneira louvável.

Estávamos na década de 90. Os thrillers de suspense/terror estavam a perder a sua credibilidade porque havia uma grande falta de ideias inovadoras no género, em particular o slasher film, que tão popular se tornou com filmes como Halloween: O Regresso do Mal (1979), de John Carpenter, ou mesmo A Vítima do Medo (1960), de Michael Powell, o pai dos slasher films. Eis que em 1996 surge Gritos, de Wes Craven.

Aposta ganha. Gritos tornou-se um sucesso de bilheteira como há muito não se via no género do suspense e foi aclamado pelos críticos, que vieram a chamar à saga nomes como “complexo, inteligente, intenso, rápido”. Os filmes seguintes, Gritos 2 (1997), Gritos 3 (2000) revelaram-se sucessos tais como o primeiro e conquistou uma forte legião de fãs, sendo considerada uma das melhores franchises do género slasher dos últimos tempos, com lucros superiores a 507 milhões de dólares globalmente. Gritos veio provar que os slasher films não morreram e estão para durar.

Chegamos a 2011. Wes Craven presenteou os fãs com Gritos 4. Tendo realizado os três anteriores e contando com a ajuda de Kevin Williamson, argumentista da saga, Craven introduziu uma nova geração de pessoas o que significa mesmo um thriller de suspense com pitadas de terror.

A fidelidade de Gritos 4 aos seus antecessores é espantosa. Mesmo realizador, mesmo argumentista, mesmo elenco principal. É o que se chama win win (ou neste caso win win win). Neve Campbell, David Arquette e Coutney Cox regressam aos papés que os popularizaram como Sidney Prescott, Dewey Riley e Gale Weathers. Não há falhas. O passar dos anos pode ter envelhecido os actores, obviamente, mas as interpretações continuam apaixonantes e intensas.

O enredo continua tão complexo e inteligente como sempre. O mistério está tão bem desenvolvido que é impossível saber quem é o assassino até ao minuto da revelação, e essa é uma revelação que consegue mesmo chocar. O espectador pode ter palpites, mas é provável que não esteja certo. Kevin Williamson é, de facto, um argumentista brilhante.

E como não podia deixar de ser, Gritos 4, tal como os anteriores, possui os seus elementos de humor negro e sátira a outros filmes de suspense. Mas o que é mesmo diferente são as sátiras a esta moda agoniante de fazer sequelas desnecessárias ou remakes que envergonham o original. Muito bem pensado. É certo que Gritos 4 também não é exactamente um filme original. É uma sequela. Mas o que o difere dessa moda das sequelas é o tratamento que o filme levou para agradar aos fãs. Lá está, e repito: mesmo realizador, mesmo argumentista, mesmo elenco principal.

O que pode parecer um pouco exagerado ao espectador que não conhece a saga é que as cenas de assassinato podem parecer muito violentas mas há que compreender duas coisas: sátira e o próprio género slasher. A primeira porque Gritos é, além de muitas coisas, uma gozação de outros filmes; a segunda porque o próprio género em si já é violento.

Em suma, Gritos 4 vai se um deleite para os fãs da saga e introduz-se a uma nova geração de espectadores que não sabe o que é um thriller de suspense até ver Gritos. Alegrem-se: o medo voltou.

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