A nova adaptação da obra clássica de Alexandre Dumas, Os Três Mosqueteiros, chega agora aos cinemas, num filme que, apesar de muita acção, rejeita qualquer pingo de fidelidade à obra e dá-lhe uma volta desagradável, ainda mais para os fãs da obra.
A partir de dia 13 de Outubro, quinta-feira, fica disponível nas salas de cinema portuguesas a nova adaptação cinematográfica de Os Três Mosqueteiros, da obra clássica de Alexandre Dumas. Esta versão, que já é a 23ª vez que se traz ao grande ecrã, introduz na história uma visão steampunk, que é um subgénero da ficção científica; tratam-se de obras ambientadas no passado, no qual os paradigmas tecnológicos modernos ocorreram mais cedo do que na História real, mas foram obtidos por meio da ciência já disponível naquela época, como por exemplo a máquina a vapor.
A história centra-se no jovem D’Artagnan, que deixa a sua casa em Gasconha, para viajar para Paris, com o desejo de se tornar um Mosqueteiro. Lá, ele cruza-se com três lendários, mas caídos em desgraça, guerreiros do Rei: Porthos, Aramis e Athos. Ao descobrirem uma conspiração para destronar o Rei Luis XIII, D’Artagnan alia-se aos três mosqueteiros e terão de enfrentar uma mulher sedutora e fatal, Milady de Winter, um clérigo corrupto, o Cardeal Richelieu e um nobre vigarista, o Duque de Buckingham.
O filme, logo ao início, mostra ser muito mais avançado que qualquer outra adaptação da obra alguma vez feita. Desde as armas avançadas aos dirigíveis, o espectador fica coma noção de que aquilo que está a ver é algo de muito avançado para a época em que o filme se passa. Quem não tem noção do termo steampunk referenciado acima, poderá achar a experiência do filme algo de ridículo e impensável, o que poderá ser válido já que não se fazem muitos filmes com este técnica e vivemos numa sociedade muito crédula no que toca aos elementos cénicos e visuais de um filme.
Sendo esta uma obra famosa, espera-se que seja tratada em cinema com algum respeito e dignidade, principalmente para os admiradores da história. No entanto, aquilo que se vê no filme deve corresponder a apenas 50% da obra, porque a restante metade processa-se de modo muito diferente e o filme mostra muitos cortes em relação ao livro.
O filme tem outro problema: sofre de personagens subdesenvolvidas. Os sujeitos do filmes acabam a película tal como o começaram, sem qualquer avanço ou desvio em direcção àquilo que o público conhece das personagens literárias. Além da não evolução das personagens no filme, as interpretações dos actores são imensamente jocosas, com destaque para Milla Jovovich que interpreta o papel de Milady de Winter de modo desleixado.
Em Os Três Mosqueteiros faz falta a essência da história. O tema que desenvolve o decorrer da acção é completamente obscurecido por duelos de espada, acrobacias e efeitos especiais que levam uma ênfase muito maior. Podem ser bem feitos, adensam a intriga e podem mesmo entreter o espectador, mas o que importa é a história em si. O filme, rodado em 3D, não tem tanta necessidade de ser visto desta forma, já que não possui muitos elementos cativantes para visão tridimensional.
















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