“Hugo” é a prova mágica de que Scorsese é um visionário

 

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Martin Scorsese é um dos mais aclamados realizadores de Hollywood desde que iniciou a sua carreira em finais de década de 60.  A sua visão tem sido aplaudida ao longo dos anos, devido à sua maneira crua e surpreendente de escrever, produzir e realizar uma longa-metragem. Os anos podem passar mas obras-primas como Taxi Driver (1976), Touro Enraivecido (1980), A Idade da Inocência (1993), Gangues de Nova Iorque (2002), Entre Inimigos (2006) não serão (nem devem ser) esquecidas. Claro que isto só para referir alguns filmes, porque a filmografia de Scorsese é uma grande miscelânea de películas fortemente aclamadas pelos críticos e pelo público. Ficámos habituados a filmes temáticos como gangues, policiais e alguns dramas e comédias pelo caminho. Este ano isso mudou. Baseado no premiado e imaginativo bestseller de Brian Selznick, A Invenção de Hugo Cabret, Martin Scorsese apresenta-nos uma adaptação cinematográfica que se desviou daquilo a que estávamos habituados. E que maravilha se revelou.

A Invenção de Hugo conta a história de um órfão que vive em segredo nas paredes de uma estação de comboios de Paris, onde trata da manutenção dos relógios. Com a ajuda de uma rapariga excêntrica, ele procura a resposta para uma misteriosa ligação entre o pai que perdeu recentemente, o mal-humorado e amargurado dono da loja de brinquedos que vive por baixo dele e uma fechadura em forma de coração, aparentemente, sem chave.

Scorsese apresenta-nos algo totalmente novo no seu currículo: um filme de cariz familiar. É uma transformação surpreendente que evidencia o seu talento multifacetado como um visionário por excelência. O filme é um conto enternecedor e encantador que, apesar de se passar durante o Inverno, nos aquece o coração. Os seus elementos Dickensianos que relembram Oliver Twist e David Copperfield, apela à nossa natureza humana para querer ajudar o próximo, para não desistirmos de viver, e acima de tudo, para não desistirmos de nós próprios. Também serve como uma homenagem à máquina realizadora de sonhos que é o cinema; a sua abordagem aos primórdios do cinematógrafo traz-nos à memória a primeira vez que fomos ao cinema e da sensação que isso proporcionou, e ainda proporciona.

A banda sonora composta por Howard Shore é brilhantemente colocada no filme; a música “casa” com a imagem com um esplendor excelente e a sua instrumentação com elementos musicais à la France são a cereja em cima do bolo. De parabéns está o elenco, nomeadamente Ben Kingsley, que continua a ser o bom actor que sempre foi e Asa Butterfield (Hugo) mostra-se um actor promissor, tendo já no seu currículo filmes como O Rapaz de Pijama às Riscas (2008) e Nanny McPhee e o Toque de Magia (2010).

Muito bem trabalhados estão os efeitos visuais e a fotografia. Apesar do filme ter sido filmado em parte em locais exteriores, a sua grande parte foi feita em estúdio, e mesmo assim o detalhe dos cenários criados por computador estão estupendos. O filme é também o primeiro de Scorsese a ser filmado em 3D. A tridimensionalidade está muito bem criada no filme. Pode-se dizer que dá ao espectador a sensação de estar a olhar por uma janela, para os acontecimentos que ocorrem do outro lado. No entanto, o 3D não é muito necessário aqui, visto que este se trata de um filme sem grandes elementos que mereçam tal técnica.

A Invenção de Hugo é a mágica obra-prima de Martin Scorsese, que de modo inesperado, nos apresenta a comovente história de um rapaz órfão, um velho amargurado e de uma invenção que os ensina a não desistirem de sonhar e de viver, que merece ser vista por todos para que se apercebam que nunca é tarde demais para viver.

 

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