Crítica: “Rumo à Liberdade”, uma história inspiradora mas não arrebatadora

Rumo à Liberdade é uma história verídica sobre coragem, determinação e liberdade. Baseado na obra A Longa Caminhada, o filme segue um caminho inspirador e realista passado numa época que não é muito tratada nos ecrãs mas que não acrescenta nada novo.

WB_D36_009Rumo à Liberdade marca o regresso de Peter Weir à realização. Depois do êxito de 2003 Master and Commander: O Lado Longínquo do Mundo (nomeado a dez Óscares da Academia), Peter traz o seu novo projecto, após 8 anos de ausência. Weir regressa também aos temas que nos habituaram pela sua componente inspiradora e comovente. Não esquecer que O Clube dos Poetas Mortos e The Truman Show: A Vida em Directo conquistaram audiências, os críticos e muitos prémios. No entanto, este trata-se de um regresso agradável, mas não extraordinário.

Passado num campo de concentração soviético, o filme vence pelo seu surpreendente realismo e pela crueza com que trata a vivência dos prisioneiros políticos da URSS. Outro ponto a favor é a época em que se vive. É certo que já vimos muitos filmes sobre a II Guerra Mundial ou que ocorrem durante esse mesmo conflito, mas grande parte dessas películas se relacionam com o nazismo. Em Rumo à Liberdade, pode-se dizer que há uma lufada de ar fresco pois a acção passa-se na Rússia, em época de II GM mas que se relaciona com o crescimento do comunismo.

Esta história de um grupo de fugitivos de um campo de concentração na Sibéria, que teve de atravessar montanhas, um deserto e os Himalaias para chegar à suaWB_D60_073 liberdade enternece o espectador pela sua força e inspiração. O elenco composto por Ed Harris, Colin Farrell, Jim Sturgess e Saoirse Ronan, entre outros, está de parabéns. Proporcionam uma actuação forte e real. No entanto, a interpretação não está arrebatante. Está, pelo contrário, muito boa; não excelente.

Outro ponto a favor é o espectáculo visual do filme. As suas imagens das montanhas e dos enormes campos que cobriram uma boa parte da Europa na WB_D50_024década de 40 foram surpreendentes. Outro aspecto que parece mau mas acaba por ser bom é a duração do filme.  Duas horas e 10 minutos é muito para um filme que poderia apenas ser de noventa minutos. Mas esta duração de 130 minutos acaba por se adequar, devido às cenas de longas caminhadas nos desertos montanhosos e arenosos que se impõem ao espectador para que ele sinta o mesmo que as personagens: o desejo ardente de chegar ao fim de uma viagem tão exaustiva.

Rumo à Liberdade é, em suma, não tão emocionalmente envolvente como deveria ser, mas este épico de Peter Weir oferece uma ambição arrebatadora e fortes interpretações que combinam com o seu espectáculo visual.

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