"Não darei mais conferências de imprensa, é tudo. Agora passo a fazer como Terrence Malick", assegurou von Trier, numa alusão ao cineasta norte-americano autor de The Tree of Life (A Árvore da Vida ainda em exibição em Portugal), raramente visto em público e avesso a entrevistas. "Não há razão alguma para ser só ele a ter esse privilégio", acrescentou.
A 18 de Maio passado, von Trier incendiou o festival de Cannes, em que concorreu pela Palma de Ouro com Melancholia, durante um encontro com os jornalistas em que até Kirsten Dunst, a protagonista do filme, se sentiu incomodada. "Eu entendo Hitler, embora considere que fez coisas erradas, claro. Só estou a dizer que entendo o homem. Não é aquilo a que chamaríamos um bom tipo, mas simpatizo um pouco com ele", declarou então.
"No fundo, gosto de ser ‘persona non grata’. É um papel romântico e solitário que me aproxima dos meus heróis. Acho que nunca faço nada para facilitar a minha vida." disse ainda ao Libération.
Na entrevista, contudo, o cineasta, fundador do Dogma 95 (juntamente com Thomas Vinterberg) e autor de filmes tão aclamados como Breaking the Waves (Ondas de Paixão) e Dogville, voltou a desculpar-se, dizendo que foi "estúpido" e que, "perante 200 jornalistas sem ter preparado nada", entrou em "pânico". "Disse coisas idiotas e lamento ter ferido os sentimentos das pessoas. O meu problema é que sou obcecado por conflitos e não consigo impedir-me de os desencadear. Em frente de uma plateia que espera que eu diga alguma coisa, eu faço-o. E quando digo que sou um nazi, depois fico muito chocado por as pessoas acreditarem!", explicou, admitindo ser uma pessoa "complicada". "Em Cannes, toquei num tema tabu e isso explica as reacções violentas. Mas também quero dizer que o politicamente correto está a matar o mundo. Se caímos nesta armadilha, o pensamento ficará empobrecido", defendeu.
O cineasta adiantou ainda que o seu próximo projecto será um filme "radicalmente diferente", sobre uma mulher que é rejeitada "como um transplante que não foi aceite", mas não revelou mais pormenores.
Fonte: Jornal de Notícias

















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