Esta foi uma jornada cheia de casos de arbitragens e algumas polémicas à mistura. De seguida deixo-vos com a análise dos jogos mais importantes da 4ª jornada da Liga Zon Sagres.
FC Porto x Vitória de Setúbal – À passagem da quarta jornada, o FC Porto ainda não conheceu o amargo sabor da derrota, continuando a espalhar classe nos relvados de Portugal. Este resultado peca por escasso, dado que a equipa portista acertou três vezes no ferro. Mesmo assim, até ao golo de James, aos 75 minutos, o resultado poderia ter sido outro, não só devido ao atrevimento do Vitória de Setúbal, mas também porque a equipa portista ameaçou desequilibrar-se. Se isso sucede-se, seria uma tremenda injustiça. Só no último quarto de hora é que houve paz e sossego no Dragão. Importa dizer que, até ao intervalo, o FC Porto jogou sem Hulk e João Moutinho. O médio portista foi decisivo, já que, não só marcou o primeiro golo da noite (57 minutos), como também empolgou a equipa, entendeu-se muito bem com Belluschi e Defour, por outras palavras, encheu o campo. Ao intervalo, como viu que o empate não se desfazia, Vítor Pereira experimentou uma abordagem diferente. Tirou Souza (médio defensivo), ampliou horizontes, aumentou a ousadia da equipa, aumentou também a sua confiança e, a partir deste momento, os dragões encheram o campo com classe. A partir do primeiro golo, a equipa azul-e-branca jogou um futebol ao primeiro toque, quase parecendo que cada jogador do FC Porto lia os pensamentos dos restantes colegas. O Vitória de Setúbal foi uma equipa demasiado dependente do génio de Cláudio Pitbull. Foi uma equipa muito junta, dependendo do génio do avançado. Foi muito pouco para a equipa sadina, apesar dos bons primeiros 25 minutos. Até que chego o minuto 75, James Rodriguez concluiu uma excelente jogada, ao primeiro toque, sendo assistido por Hulk, num magistral toque de calcanhar. Só Kleber e Cristián Rodríguez estiveram ligeiramente abaixo dos colegas. Hulk, que esteve 22 minutos em campo, chegou a tempo de contribuir para a festa. Belluschi esteve imponente, marcando o terceiro golo dos dragões. O FC Porto mereceu claramente a vitória, pecando apenas por escassa. O FC Porto joga esta terça-feira para a Liga dos Campeões, recebendo o Shakhtar.
Resultado final: 3-1
Benfica x Vitória de Guimarães – Foi, no mínimo, um jogo insólito. Três grandes penalidades na primeira parte, todas a favor do Benfica, com Cardozo a converter duas delas em golo, dando assim a vitória ao Benfica. Ainda houve outra grande penalidade por assinalar. Das que foram assinaladas, a primeira foi inequívoca, a segunda deixa algumas dúvidas (na minha opinião foi mal assinalada, mas era de difícil análise, dado que um jogador do Vitória de Guimarães tapa a linha de visão do árbitro), e a terceira não existiu. A arbitragem de Duarte Gomes vai fazer correr muita tinta esta semana. O Vitória de Guimarães só conseguiu responder ao Benfica na segunda parte, mas foi tarde demais, conseguindo apenas reduzir a desvantagem no marcador. O Benfica entrou com tudo no jogo, tendo Aimar e Nolito no banco, subindo no relvado em bloco. Pela frente encontraram um Vitória moralizado, que aproveitou os espaços vazios, conquistando assim dois cantos nos primeiros instantes do jogo. Através dos cantos os vimaranenses criaram situações de perigo para a baliza encarnada, fazendo o Benfica repensar a sua estratégia. A partir daí, o Benfica aumentou a pressão de forma controlada, com Witsel e Javi a acertarem o passo, fazendo com que o Vitória jogasse junto à sua área, obrigando-os a uma sucessão de erros. N’Dyaye cometeu um erro clamoroso, ao cair sobre Saviola, erro esse que já tinha cometido noutras partidas. Duarte Gomes assinala grande penalidade e Cardozo não desperdiça a oportunidade, marcando assim o primeiro golo da noite. O Benfica continuou a carregar, com um Maxi Pereira já perto da sua melhor forma física, diante de um Vitória de Guimarães que apenas via jogar. Até que aconteceu o primeiro caso do jogo. Witsel remata de fora da área e El Adoua parece fazer um gesto com o braço. Duarte Gomes não tem dúvidas, e volta a apontar para a marca de grande penalidade, mas Cardozo desta vez não aproveitou, acertando na trave. Nove minutos depois surge outro lance polémico, mas que não deixa dúvidas, porque simplesmente não é grande penalidade. N’Dyaye atrapalha-se com a bola, e Cardozo remata contra a cabeça do senegalês, e Duarte Gomes entendeu que foi com o braço, assinalando nova grande penalidade. Desta vez Cardozo não falhou, e o Benfica chegou ao intervalo com uma vantagem justa, mas à custa de um erro de arbitragem. A segunda parte mostrou-nos um Vitória diferente, fruto da entrada de Nuno Assis, tentando subir as suas linhas. Jorge Jesus também mexeu, fazendo entrar Nolito e Aimar, sendo que este último ia fazendo estragos da primeira vez que tocou na bola. Mas foi o Vitória que marcou, por intermédio de Edgar que, lançado por Nilson, fugiu pela direita, ganhando a corrida a Emerson,e batendo Artur. Com este golo o jogo voltou a estar aberto. Faouzi podia ter empatado a partida, mas Gaitán também teve oportunidade de fazer o terceiro do Benfica, mas permitiu a defesa de Nilson. O Benfica mereceu inteiramente este triunfo, sendo este jogo o inicio de um ciclo terrível de jogos, que incluem jogos frente ao Manchester United (Liga dos Campeões), Académica (5ª jornada) e FC Porto (6ª jornada).
Resultado final: 2-1
Paços de Ferreira x Sporting – Acho que o Sporting estava a precisar de um resultado como este. Até aos 74 minutos, o Sporting era uma equipa em sofrimento, a perder por 2-0 e, do nada, foi uma equipa com uma ferocidade incomum e deu a volta ao marcador, conquistando assim a primeira vitória na Liga. Com o que restava da alma leonina, a equipa de Domingos Paciência marcou três golos na fase final do jogo, quando o Paços de Ferreira já jogava reduzido a 10 jogadores, deixando os adeptos esperançados que, a partir de agora, as coisas vão começar a ser diferentes. A atitude da equipa leonina nos últimos 20 minutos conseguiu apagar a imagem que o Sporting tinha deixado até ao momento, de uma equipa abatida, sem forma de dar a volta à situação que se tinha instalado no reino do leão. Foi épica a forma como a equipa de Domingos Paciência deu a volta à situação, depois de terem dado uma imagem de fragilidade e impotência, perante aquilo que estava a acontecer no jogo na Mata Real. Izmailov reduziu num remate, que contou com o desvio de André Leão, Elias teve a melhor estreia possível, ao finalizar após um passe de Rinaudo, Van Wolfswinkel completou a reviravolta, ao encostar de primeira um cruzamento de Insúa, pondo os adeptos leoninos em delírio. Neste jogo deu para ver duas coisas: primeiro que, a qualidade individual dos jogadores do Sporting é elevada; e em segundo lugar, se Domingos Paciência conseguir introduzir uma grande dose de espírito colectivo à enorme qualidade individual de que dispõe, este Sporting torna-se numa equipa temível. Ainda não o é, mas tem muito potencial para o ser. O começo do jogo não poderia ser pior para o Sporting, ao sofrer o primeiro golo logo aos 5 minutos. Tudo bem que o árbitro erra ao assinalar livre indirecto na acção de Rodriguez. Mas o peruano foi defeituoso e Rui Patrício ingénuo, um pouco à imagem daquilo que aconteceu com Stoikovic, num FC Porto x Sporting. Michel aproveitou a situação para abrir o marcador, arrancando para uma excelente exibição, talvez o melhor jogador em campo do Paços de Ferreira. O Sporting acabou por merecer este resultado, muito devido ao que jogou nos últimos 20 minutos, embora o tenha feito devido ao facto do Paços de Ferreira estar reduzido a 10 unidades, depois do árbitro expulsar (mal) Nuno Santos, aos 70 minutos.
Resultado final: 2-3
Braga x Gil Vicente – Nuno Gomes revelou-se, neste jogo, como a arma secreta do Braga, ao apontar dois dos golos da vitória bracarense isto quando começou no banco, e só entrou aos 58 minutos. Logo na primeira vez que tocou na bola, Nuno Gomes obrigou a Adriano a excelente defesa. Três minutos depois, o internacional português fez a diferença numa bomba que saiu dos pés dele sem defesa. Com este golo, o Braga podia tranquilizar-se, e as coisas ficaram mais simples. Porém, até ao golo tranquilizador de Nuno Gomes, a equipa bracarense dominava claramente o jogo, procurava jogar pelas alas, tanto insistia pela direita como pela esquerda, colocava as bolas na área, só que não marcava. Lima teve completamente desastrado, falhando inúmeras oportunidades na zona de finalização. Djalmal também foi um dos que não conseguiu acertar com a baliza, e até Hugo Viana viu Adriano a afastar um golo certo para canto. Este era um jogo mesmo à medida de Nuno Gomes. Só a entrada do avançado mexe o jogo a partir do cérebro dos jogadores. Porquê? Porque as bancadas animam-se automaticamente, a pressão em cima da baliza adversária aumenta, e é altura da equipa adversária se assustar com o ambiente das bancadas. O Gil Vicente foi uma equipa digna, tentando jogar longe da baliza do seu guarda-redes, trocando a bola no pé, mas não era suficiente. Só aos 79 minutos é que criou uma oportunidade de perigo. O Braga mereceu este resultado, porque já o justificava muito antes do golo de Nuno Gomes. Depois, Éder foi expulso por travar Lima em cima da linha de grande-área, e o jogo ficou decidido. Hélder Barbosa, num excelente chapéu, colocando justiça no marcador. Tudo o que o Gil Vicente conseguiu fazer foi reduzir, por intermédio de Cláudio, num penalty bem assinalado. Poderia pensar-se que o Gil Vicente, com este golo, poderia dar o tudo por tudo para tentar empatar a partida. Mas Nuno Gomes não deu hipóteses, bisando logo a seguir.
Resultado final: 3-1
















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