Esta foi uma jornada com alguma emoção e surpresas à mistura, nomeadamente o empate do FC Porto, que permite ao Benfica ficar com os mesmos pontos que o actual campeão nacional, isto quando estamos a poucos dias de um FC Porto x Benfica, a contar para a 6ª jornada. Deixo-vos com a análise da 5ª jornada da Liga Zon Sagres.
Feirense x FC Porto – E à passagem da 5ª jornada o campeão escorregou, ao permitir um empate frente ao Feirense, numa altura em que não podia falhar, já que o próximo jogo é frente ao Benfica, esta sexta-feira, quando estes dois clubes estão empatados no primeiro lugar. E ainda por cima o Feirense podia ter ganho o jogo, dispondo de claras oportunidades para marcar. Vítor Pereira complicou o que era fácil: jogou a segunda parte sem nenhum avançado em campo, mas continuando a incentivar a equipa a jogar em futebol apoiado, com grande dinâmica ofensiva, colocando bolas na área, faltando um homem fixo na área para concluir as jogadas. O FC Porto atacou muitas vezes com o coração, quando devia ter atacado com a cabeça. Surpreendentemente, o Feirense foi uma equipa muito atrevida, cada vez que atacava enervava o FC Porto. Notou-se claramente a falta de Hulk neste jogo, porque o jogador brasileiro é um jogador que mexe muito no jogo, que tenta ser ele a resolver as partidas, quando o resto da sua equipa não se encontra inspirada. James Rodriguez vai falhar o clássico, porque foi expulso aos 90 minutos, por agressão a Rabiola. O FC Porto falhou o principal objectivo para este jogo: tentar chegar ao clássico de sexta-feira com dois pontos de vantagem, abordando a partida de uma forma mais confortável e colocando a maior parte da pressão do lado do Benfica. É caso para dizer: o clássico promete!
Resultado final: 0-0
Benfica x Académica – O Benfica começou este jogo motivado pelo resultado do FC Porto, mas ciente que tinha de ganhar para colocar pressão no lado do FC Porto, que defrontará nesta sexta-feira. O Benfica fez um bom jogo, mereceu inteiramente a vitória, mas este resultado não espelhou aquilo que a Académica fez em campo, porque bateu-se bem, jogou o jogo pelo jogo, criou algumas dificuldades aos encarnados, proporcionando um espectáculo agradável. Jorge Jesus decidiu poupar alguns jogadores, deixando Javi Garcia, Ruben Amorim, Aimar e Gaitán de fora. Matic, Nolito, Saviola e Bruno César jogaram de inicio. No lado da Académica, Pedro Emanuel apresentou uma equipa sem grandes preocupações defensivas e sem receios, não cedendo à tentação de “estacionar o autocarro”, discutindo cara-a-cara o jogo com o Benfica. O primeiro golo surgiu aos 25 minutos, através de Bruno César, que, após tirar um adversário do caminho, e rematou sem hipóteses para o guarda-redes dos estudantes. Danilo empatou a partida aos 39 minutos, num remate de fora da área, com Artur Moraes a tocar ainda na bola. O empate foi sol de pouca dura, já que, aos 41 minutos, Nolito passou por dois adversários, desfez a igualdade. A segunda parte começou num ritmo mais baixo do que na primeira, mas com um ponto em comum: as duas equipas tentaram jogar futebol. O Benfica pareceu uma equipa mais coesa, embora Matic ainda não faça esquecer Javi Garcia, e Saviola está numa forma muito abaixo do normal. Pablo Aimar marcou o terceiro golo da equipa encarnada e Gaitán fechou o marcador em cima dos 90 minutos. Com este jogo, Jorge Jesus tem de estar satisfeito com os seus jogadores. Duas boas exibições em poucos dias dão boas razões para os benfiquistas sonharem com uma vitória no difícil Estádio do Dragão.
Resultado final: 4-1
Vitória de Guimarães x Braga – Este é cada vez um dos jogos grandes do futebol nacional. Bem disputado, embora tivesse sido muitas vezes jogado com o coração do que com a cabeça, o empate aceita-se. O Vitória de Guimarães marcou primeiro, quando nada o fazia prever, numa altura em que o Braga estava ligeiramente por cima do jogo. O golo dos vimaranenses foi marcado por Edgar, aos 29 minutos. O Vitória de Guimarães partiu para este jogo com a pressão da classificação anormal da equipa, que estava nas últimas posições, perante um adversário que poderia chegar à liderança, caso vencesse o jogo. Por isso, numa altura em que nada o fazia prever, Edgar marcou para a equipa vimaranense e virou por completo a partida, tendo sido mais perigosos até ao intervalo. Não é por acaso que este jogo se está a tornar num dos jogos grandes do futebol nacional, porque tem muitas características dos derbies entre os 3 grandes: jogo mais emotivo que bem jogado, disputado a um ritmo frenético, que dava a sensação de que tudo poderia acontecer, que ambas as equipas poderiam marcar golos. Leonardo Jardim tinha feito entrar Nuno Gomes para empurrar a equipa vimaranense para trás, Rui Vitória responde com a entrada de João Alves para o lugar de Nuno Assis. Os treinadores tentavam acalmar o ritmo da partida, tentando incutir lógica ao jogo das suas equipas. Mas não resultou, e foi no meio de um ritmo frenético que o Braga chegou ao empate: livre de Alan, com Paulo Vinicius a cabecear para o fundo da baliza de Nilson, aos 83 minutos. Esta partida foi, até ao final, muito intensa, mas o empate trouxe alguma justiça ao equilíbrio que as duas equipas do Minho tiveram. O Braga falha o assalto à liderança do campeonato, estando a dois pontos de Benfica e Porto, enquanto que o Vitória de Guimarães respira melhor, conseguindo melhorar a sua classificação (12º).
Resultado final: 1-1
Rio Ave x Sporting – Este Sporting deve ter uma tendência para o sadomasoquismo. Aos 3 minutos já vencia a partida por 2-0, com golos de Schaars e Wolfswinkel, numa verdadeira entrada de leão. Mais fácil a vitória leonina tinha ficado quando, aos 3 minutos, João Tomás saiu lesionado, com o nariz fracturado. Mas, inexplicavelmente, a partir daí tornou-se uma equipa apática, que não conseguia assentar o jogo. Obviamente que o Rio Ave aproveitou e fez o empate, com golos de Atsu (49 minutos) e Yazalde (63 minutos). Atsu foi mesmo uma das figuras do encontro, ao marcar o golo num ângulo impossível, contando com a colaboração de Rui Patrício. O guarda-redes do Sporting atravessa um mau momento. A noite de Rui Patrício poderia ter sido pior, já que não acertou na bola após um atraso, que só não deu golo por sorte. Caso a bola entrasse, seria mesmo um dos “frangos” do ano. Os adeptos leoninos presentes na Vila do Conde viram a equipa de Domingos Paciência transformar aquilo que poderia ser uma goleada num jogo em que poderia voltar a comprometer as suas aspirações no campeonato. Valeu a Domingos Paciência o central norte-americano Onyewu que, a menos de 10 minutos do fim, salvou o Sporting de um comprometedor empate e descansou, finalmente, os adeptos leoninos. O Sporting acaba por merecer este resultado, muito pela sua entrada na partida e por ter acreditado na vitória até ao final do jogo. Uma coisa é certa: esta equipa tem muita capacidade de sofrimento, nunca desiste de ganhar o jogo, mesmo quando ele parece perdido (exemplo disso foi o encontro frente ao Paços de Ferreira). Agora, para uma equipa que se diz ser candidata ao título, o que aconteceu neste jogo não pode voltar a acontecer, uma equipa não pode esbanjar pontos da maneira como poderia ter acontecido neste jogo. Felizmente para o Sporting não aconteceu. Quando ao Rio Ave, após a contrariedade de perder João Tomás logo nos primeiros minutos do jogo, e após se ver a perder por 2-0 aos 5 minutos, a equipa de Carlos brito acordou, muito por culpa de dois jovens de 19 anos: Kelvin e Christian Atsu. Conseguiu fazer o impensável: recuperar da desvantagem de dois golos e quase abater o leão. Mas faltou uma pontinha de sorte. Ficou a boa resposta da equipa vila-condense à adversidade. Voltando ao Sporting, ainda não se percebe o real valor desta equipa, é preciso esperar pelos próximos jogos para o saber. Mas ainda não basta para ganhar o campeonato.
Resultado final: 2-3
















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