Esta foi uma jornada sem quaisquer surpresas nos jogos que envolveram os principais candidatos ao título de campeão nacional. Deixo-vos com a análise da 8ª jornada da Liga Zon Sagres.
Beira-Mar x Benfica – Este foi daqueles jogos em que a equipa encarnada esteve acompanhada por uma estrelinha da sorte.
Como já se previra, este não foi um triunfo fácil por parte da equipa de Jorge Jesus. Iam enfrentar a melhor defesa do campeonato (apenas dois golos sofridos em 7 jornadas), que só perdeu o jogo devido a um erro do seu guarda-redes Rui Rêgo. Também já se esperava que o Benfica não jogasse da mesma forma que costuma jogar, fruto do desgaste sofrido na partida da Liga dos Campeões.
Jorge Jesus viu-se mesmo obrigado a alterar a equipa devido a lesões ou desgaste físico, substituindo Maxi Pereira (lesionado), Javi Garcia, Gaitán, Aimar e Rodrigo, por Rúben Amorim, Matic, Nolito, Saviola e Cardozo.
O Benfica começou o jogo a todo o gás, procurando de imediato o golo, mas foi o Beira-Mar a estar mais perto do golo, por duas ocasiões. Pouco depois, Saviola introduziu a bola no fundo da baliza da equipa aveirense, mas o golo não contou, porque o árbitro considerou (e bem) que Garay cometeu falta sobre Rui Rêgo.
O Benfica foi perdendo intensidade, de tal forma que o Beira-Mar chegou a controlar as operações, pressionando os jogadores encarnados. Do lado do Benfica, só Witsel é que tentava agitar o jogo, através de iniciativas individuais, mas sem sucesso.
Com isto, o jogo foi entrando num impasse, que Rui Rêgo se encarregou de resolver. O guarda-redes aveirense falha um remate que iria afastar a bola da sua grande área, mas manda uma autêntica “rosca”, e Cardozo aproveita para fazer o primeiro da noite.
A partir daqui, o Benfica foi uma equipa muito mais tranquila, devido ao facto de estar em vantagem no marcador, e o Beira-Mar tornou-se menos ameaçador, fruto da desmoralização de terem sofrido um golo da forma como sofreram.
Mas a equipa de Aveiro não deixou de ameaçar a baliza encarnada, e nem as entradas de Aimar e Gaitán serviram para tentar pôr o Beira-Mar no seu meio-campo. Daí que, até ao final do jogo, os adeptos encarnados tiveram que sofrer muito, devido às constantes ameaças do Beira-Mar.
Resultado final: 0-1
Braga x Feirense – Depois do comprometedor empate na Liga Europa, o Braga estava sob pressão para vencer este jogo, no qual era claramente favorito. Mas quem esperava ver a equipa minhota vacilar perante a pressão, saiu do Estádio Axa muito enganado. O Braga deu uma resposta categórica aos seus críticos, mostrando mesmo estofo de grande, pela forma como ganhou, sem se esforçar muito.
Na primeira parte, viu-se logo que o Feirense não iria dar muita réplica, que não iria ameaçar o Braga, porque, durante os primeiros 45 minutos, a equipa de Santa Maria da Feira só fez um remate à baliza.
O primeiro golo foi daqueles casos de: à terceira foi de vez. Na primeira oportunidade flagrante, Paulo Lopes defendeu um remate de Nuno Gomes, à segunda João Ferreira anulou (bem) o golo ao internacional português, e à terceira Nuno Gomes fez mesmo o golo.
Os adeptos tiveram desde logo a sensação que a equipa minhota não iria repetir o desperdício de oportunidades que aconteceu no jogo da Liga Europa.
Fruto do facto de ter realizado dois jogos em quatro dias, o Braga não carregava, e o Feirense tentava aproveitar para ainda se manter em jogo. Mas foi em vão.
Já na segunda parte, mais precisamente aos 63 minutos, aconteceu o momento da noite. O momento pelo qual valeu o preço que os adeptos bracarenses pagaram pelos bilhetes, nesta altura de crise. Alan fez um chapéu perfeito a Paulo Lopes, levando a bola ainda a bater no poste e a entrar no fundo da baliza do Feirense. Um golo de levantar qualquer estádio no mundo.
Com este belo golo, o jogo estava resolvido. Ainda houve tempo para o terceiro golo da noite, que veio dar ao resultado um sentimento de injustiça, porque o Feirense não merecia o desnivelamento do resultado. Com esta vitória o Braga não deixa fugir o Marítimo, que também ganhara o seu jogo, e não ficava à mercê do jogo do Sporting.
Resultado final: 3-0
FC Porto x Nacional – O FC Porto respondeu da melhor forma às criticas que se têm formado após o comprometedor empate no jogo frente ao Apoel, a contar para a Liga dos Campeões.
Mas, ao contrário daquilo que se esperava, não foi uma vitória categórica. Por muito que os números do resultado o façam parecer, faltou muita coisa ao FC Porto. Faltou alegria, faltou criatividade, imaginação…Mas uma coisa fique bem clara: o FC Porto mereceu ganhar o jogo, mas o resultado final foi exagerado para aquilo que a equipa azul-e-branca fez em campo.
Vítor Pereira decidiu provocar uma mini-revolução no onze inicial: deixou João Moutinho, Guarin, James Rodriguez, Otamendi e Kléber no banco, Era um sinal da insatisfação o treinador portista face ao rendimento que a equipa tinha apresentado em campo nos últimos jogos.
Tudo isto fez com que a equipa portista fosse muito menos passiva em relação ao que tinha demonstrado no jogo frente ao Apoel. Mas denotava ainda uma enorme dificuldade em causar perigo.
Daí que, no lance do primeiro golo, aos 23 minutos, Defour tinha contado com a preciosa ajuda de Neto, que desviou a trajectória da bola, batendo Marcelo.
Aos 40 minutos, surgiu o segundo golo da noite. Walter, em clara posição de fora-de-jogo, foi quem marcou o golo. Não se percebe como é que o fiscal de linha, perfeitamente enquadrado com a linha defensiva do Nacional, não assinalou fora-de-jogo…
De resto, durante o primeiro tempo, tirando os golos, nota apenas para um remate perigoso de Belluschi, e para uma grande penalidade não assinalada sobre Sapunaru.
Esperava-se que, na segunda parte, com o jogo perfeitamente controlado, a equipa azul-e-branca se apresentasse mais liberta, sem a pressão de ter que marcar golos, soltando, por fim, o verdadeiro fulgor do seu futebol. Nada mais enganador.
Embora tivesse marcado mais três golos, por intermédio de Sapunaru, Kléber e Hulk, só o fizerem porque enfrentaram um Nacional pouco ousado, muito conservador, com muito receio do FC Porto, daí que apenas tiveram uma clara situação de perigo para marcar.
Embora por números exagerados, com este resultado, o FC Porto mantém a liderança no campeonato, com os mesmos pontos do Benfica.
Quando ao Nacional, ninguém diria que esta equipa começou a época a jogar na Liga Europa…
Resultado final: 5-0
Sporting x Gil Vicente – Cada vez mais se nota que este Sporting é um sério candidato ao título. Esta é já a nona vitória consecutiva, e Domingos Paciência é responsável por uma das melhores séries de resultados dos últimos sete anos. Uma nota positiva vai para a atitude do Gil Vicente, que veio a Alvalade discutir o jogo, em vez de optar pela atitude da maior parte das equipas “pequenas”, que defendem até à exaustão o empate.
Depois de garantido o apuramento para a próxima fase da Liga Europa, Domingos Paciência decidiu fazer duas alterações em relação ao jogo europeu. Insua e Elias voltaram às escolhas iniciais, em detrimento de Evaldo e Pereirinha.
Quando ao Gil Vicente, entrou em jogo jazendo jus ao que o treinador gilista, Paulo Alves, tinha dito na véspera do encontro, que a equipa iria jogar para marcar golos.
Embora a estratégia de Paulo Alves fosse positiva, tinha o reverso da medalha. A estratégia de jogar o jogo pelo jogo abria espaço aos atacantes do Sporting, que podiam assim explorar as alas, muito por força da velocidade de Capel e da criatividade de João Pereira.
Como tem sido hábito em tempos recentes, o Sporting marcou cedo, por intermédio de Carriço, aos 10 minutos de jogo, com uma assistência de Polga.
A seguir surgiu uma contrariedade para Paulo Alves. Devido a problemas físicos, o treinador do Gil Vicente trocou Pedro Moreira por Guilherme, mas manteve sempre a táctica inicial. Táctica essa que valeu alguns sustos para a equipa do Sporting, através de rápidos contra-ataques dos jogadores do Gil Vicente, aproveitando o facto dos laterais leoninos estarem muito adiantados no terreno.
Embora com alguns sustos pelo meio, o Sporting era rei e senhor do jogo.
A segunda parte começou como tinha decorrido a primeira, o Sporting cada vez a criar muito perigo. Com Capel e João Pereira cada vez mais endiabrados, o segundo golo parecia cada vez mais perto.
E foi isso que aconteceu. Van Wolkswinkel foi derrubado na grande área e o árbitro a assinalar (e bem) grande penalidade, que o próprio jogador holandês se encarregou de converter em golo.
A partir do segundo golo, começou o festival Sporting. Diego Capel, depois de uma grande abertura de Elias e de um excelente cruzamento de João Pereira, aproveitou para fazer o seu primeiro golo da noite. O espanhol não ficava por aqui e, outra vez de cabeça, aumentou ainda mais a vantagem do Sporting.
Ainda houve tempo para o recém-entrado Bojinov fazer um “bis”, fechando as contas do encontro.
Com este resultado, o Sporting encontra-se no terceiro lugar, em igualdade pontual com o Braga, mas tendo uma maior diferença entre golos marcados e golos sofridos.
Resultado final: 6-1
















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