Esta foi uma jornada marcada pela perda de pontos do Sporting, que pode ter comprometido as suas aspirações em relação ao titulo de campeão nacional. Deixo-vos com a análise dos jogos mais importantes da 13ª jornada da Liga Zon Sagres:
Benfica x Rio Ave – E no último jogo de 2011 do Benfica, eis que surge a maior goleada caseira da equipa encarnada esta época. E que jogo que tivemos! Ao contrário do que se esperava, o Rio Ave apareceu desinibido, sem pensar no empate, e deu um colorido especial à última noite de futebol deste ano no Estádio da Luz. O Benfica apresentou esta noite um futebol vistoso, em que Pablo Aimar fez de Pai Natal, oferecendo bons momentos aos quase 34 mil espectadores presentes no Estádio da Luz.
Embora Carlos Brito tivesse dito que ia à Luz “sem jogar para o empate”, era expectável que o fizesse, dada a delicada situação que a equipa vila-condense vive na classificação geral. Mas Carlos Brito cumpriu aquilo que disse na antevisão a este encontro, colocando uma equipa a jogar bom futebol, de forma desinibida, mesmo quando o jogo já estava decidido.
O jogo começou de forma intensa, com ambas as equipas a procurarem o golo. Cada ataque que o Rio Ave fazia, o Benfica respondia no lance a seguir. A cadência ofensiva da equipa encarnada era maior que noutras partidas, assim como a intensidade do jogo. Saviola fazia lembrar o jogador que assombrou as defesas adversárias em 2009/10. Aimar organizava de forma formidável o jogo encarnado. Christian Atsu e Yazalde davam muito trabalho à defensiva encarnada. E Emerson parecia outro jogador, fazendo esquecer algumas exibições menos conseguidas que tinha coleccionado até aí.
O Rio Ave atacava de forma repentina, mas cada vez que atacava criava muito perigo para a baliza defendida por Artur. Chirustian Atsu precisou apenas de duas oportunidade para marcar o primeiro da noite, um pouco contra a corrente do jogo, dado que o Benfica tinha a maioria da posse de bola.
A equipa vila-condense atacava bem, mas a defesa era muito permissiva, e Éder impediu com o braço um cabeceamento de Cardozo, e o árbitro assinalou (bem) uma grande penalidade, que o ponta-de-lança paraguaio não desperdiçou e fez o golo do empate.
Esteva reposta alguma justiça no marcador, pese bem o facto do Rio Ave estar bem no jogo. Sem dar hipotese de reacção à equipa de Vila do Conde, o Benfica faz, no minuto seguinte, o golo da reviravolta no marcador, por intermédio de Nolito, num golo em que Huanderson, guarda-redes do Rio Ave, não fica bem na fotografia.
Depois foi a vez do talento fora de série de Aimar aumentar a vantagem. Tremenda assistência do 10 argentino, que Saviola aproveitou para fazer o terceiro do Benfica.
A vantagem do Benfica era um pouco injusta. Não por aquilo que os encarnados estavam a fazer, porque estavam a dominar todos os aspectos do jogo. Mas por aquilo que o Rio Ave estava a fazer no jogo, não merecendo uma desvantagem tão pesada. Ao que parece a equipa vila-condense estava a pagar demasiado caro os erros individuais.
No começo da segunda parte, eis que Aimar resolve dar outra prenda de Natal. Desta vez a Garay, que fez o quarto golo do Benfica.
Depois foi a vez de Nolito marcar, num lance cheio de improvisos.
O jogo à muito que estava sentenciado, e ainda deu tempo para Nélson Oliveira se estrear na Liga.
É certo que os números são exagerados, mas o Benfica foi um justo vencedor do jogo. E o Rio Ave um digno vencido, que vendeu cara a derrota.
Com este resultado, a equipa de Jorge Jesus está assim provisoriamente na liderança do campeonato, à espera do que o FC Porto vai fazer. Quanto ao Rio Ave, continua no fundo da tabela mas, se jogar como jogou no Estádio da Luz, pode conseguir inverter a sua situação.
Resultado final: 5-1
FC Porto x Marítimo – Foi sofrer até quase ao final do jogo. O Marítimo foi uma sombra da equipa que tantos problemas causou ao Benfica, talvez por estarem muito desfalcados para esta partida, e também por estar reduzida a 10 unidades desde o minuto 40 da primeira parte. O FC Porto foi uma equipa que sempre acreditou que era possível ganhar este jogo, e foi recompensada quase a 10 minutos do final da partida, com um golo de Cristian Rodriguez.
Foi uma primeira parte disputada a bom ritmo, com o FC Porto a dominar o jogo, mas desperdiçava oportunidades. Uma delas, aos 35 minutos vai ficar na história como um dos lances mais insólitos do ano. Primeiro, Peçanha (que acabou por ser o melhor jogador do Marítimo, porque negou até ao limite o golo do FC Porto), ao repor bola em jogo, engana-se e colocou o esférico nos pés de Belluschi. Depois, o jogador argentino, talvez deslumbrado pela facilidade do lance, tentou fazer o bonito, fintando o guarda-redes, mas acabou por permitir a redenção de Peçanha.
O Marítimo, fruto das ausências de vários jogadores-chave, apenas via jogar. Quanto ao FC Porto, muito devido a Belluschi e João Moutinho, enchiam o campo.
E foi neste registo que decorreu a primeira parte: o FC Porto a encher o campo, e a desperdiçar diversas oportunidades, e o Marítimo a ver jogar. Pelo meio, registo para uma grande penalidade que ficou por marcar a favor do FC Porto, por derrube de João Luiz a Belluschi. Depois, registo para a expulsão de Roberge, que estava a ter uma noite infeliz.
O central francês, que estava a jogar adaptado a trinco, começou por ter uma entrada algo ríspida sobre João Moutinho, merecendo o cartão amarelo. Depois, sem pensar no amarelo que já tinha, fez um carrinho sobre James Rodriguez, pondo-se a jeito do segundo amarelo e consequente vermelho, tudo isto num espaço de 2 minutos. O árbitro Duarte Gomes foi um pouco rigoroso na expulsão, mas o que é que seria de esperar quando Roberge esquece-se que já tem um amarelo…
Com a expulsão, o Marítimo fechou-se, começando a jogar para segurar o empate. Vítor Pereira, ao aperceber-se desse facto, lançou Kléber para o lugar de James Rodriguez.
Quase aos 60 minutos de jogo, Vítor Pereira dá uma oportunidade a Cristian Rodriguez para provar que merece a confiança do treinador azul-e-branco, isto depois de Vítor Pereira e Rodriguez terem discutido num treino. Rodriguez entrou para o lugar de Maicon.
Mesmo a jogar com 10, Pedro Martins mantinha o trio atacante em jogo, mesmo com a equipa madeirense a ser sufocada pela equipa portista.
Quando a equipa do FC Porto já começada a entrar em desespero, Vítor Pereira deu o tudo por tudo e fez entrar a jovem promessa Iturbe. Mas nem assim o jogo desatava.
O jogo caminhava para o final, e os adeptos portistas já estavam a ficar desesperados, porque, caso o jogo acabasse empatado, a equipa portista poderia ver o Benfica a ficar isolado na liderança. Danilo Dias quase provoca uma paragem cardíaca aos adeptos portistas presentes no Estádio do Dragão, ao fugir a Otamendi e quase marcar golo, mas a bola embateu no ferro.
Até que, aos 78 minutos, Belluschi encontra um pequeno espaço e Rodriguez aproveita para fazer o golo que dava a vantagem à equipa portista.
Antes do jogo terminar, ainda houve tempo para Briguel protagonizar um lance infeliz, ao introduzir a bola na sua própria baliza, aumentando a vantagem portista.
Com este resultado, o FC Porto acaba o ano de 2011 na liderança partilhada com o Benfica. Isto quando na próxima jornada há um escaldante Sporting x FC Porto. Este campeonato promete!
Resultado: 2-0
Académica x Sporting – Depois de Benfica e FC Porto vencerem os seus jogos, era imperial para o Sporting vencer este jogo, sob pena de ficar ainda mais afastado da liderança, isto quando na próxima jornada vai haver um escaldante Sporting x FC Porto, que pode definir o decorrer do resto do campeonato. Domingos Paciência e Godinho Lopes bem avisaram da importância deste jogo, chegando-o a definir como o “jogo mais importante do ano”. Mas a equipa leonina não passou neste teste, com os leões a revelarem tremenda falta de eficácia na hora de rematarem á baliza, o contrário daquilo que revelou a Académica, que esteve perto de vencer este jogo.
O jogo começou com o ritmo intenso, com imensas oportunidades de golo para cada lado. Wolfswinkel desperdiçou uma tremenda oportunidade para abrir o marcador, depois de um erro incrível de Berger. Foi um prenúncio daquilo que acabou por ser a noite pouco inspirada do avançado holandês. A Académica não se ficou atrás e respondeu por intermédio de Diogo Melo.
O jogo prometia golos a qualquer momento, mas com o decorrer dos minutos, a Académica acertou as marcações, começou a dar pouco espaço para o Sporting atacar, e o jogo baixou de ritmo. O Sporting tentava penetrar na defensiva dos “estudantes” mas sem sucesso. A Académica também tentava a sua sorte no ataque, mas também sem sucesso. Até que, numa boa combinação do lado esquerdo do ataque da Académica, tudo mudou.
Diogo Valente efectuou em cruzamento milimétrico e Éder, ao segundo poste, não desperdiçou e aproveitou para fazer o golo da vantagem da Académica. A Académica estava a ser o que o Sporting não estava: eficaz. A equipa de Coimbra precisou apenas de dois remates para fazer o golo da vantagem. Até ao final da primeira parte, houve apenas mais um remate da equipa da casa, por intermédio de Adrien, que passou perto da baliza.
O Sporting tentou responder de imediato, mas Wolfswinkel continuou a demonstrar que aquela não era a sua noite. Primeiro demorou demasiado tempo a preparar o remate, dando tempo a Peiser de sair dos postes e tirar a bola ao avançado holandês. Depois, Wolfswinkel e Pereirinha voltaram a desperdiçar uma oportunidade de golo.
Já na segunda parte, Wolfswinkel voltou a encarar Peiser, mas tanto tentou desviar a bola do alcance do guarda-redes “estudante”, que ela acabou por sair ao lado da baliza. Depois foi a vez da Académica desperdiçar oportunidades para “matar” o jogo, por intermédio de Diogo Valente e Éder.
Apesar do inicio de segunda parte sofredor, a Académica começou a equilibrar as coisas, mas, ao contrário do que aconteceu na primeira parte, a equipa de Coimbra não estava a ser eficaz. Para dar mais poder de decisão ao ataque leonino, Domingos Paciência introduziu em jogo Carrillo, mas foi o Sporting quem esteve muito perto de sofrer o segundo golo, mas Marinho falhou.
Depois foi a vez de Onyewu desperdiçar uma oportunidade flagrante de golo. O defesa norte-americano ainda está para saber como foi possível falhar aquela chance de golo, dado que o guarda-redes não estava na baliza, depois de ter sido obrigado por Carrillo a mais um voo. O Sporting carregava muito sobre o adversário, mas a bola teimava em não entrar.
Tão grande era o volume atacante leonino, que alguma vez a bola tinha que entrar. Foi o que aconteceu com Elias, que fez o golo do empate. Peiser ainda tentou evitar à primeira, mas não tinha hipóteses de defesa na recarga. Os adeptos leoninos que se deslocaram ao Estádio Cidade de Coimbra voltaram a acreditar na reviravolta do marcador, tentando empurrar a equipa para o golo da vitória. Depois um lance duvidoso na área da Académica, com Insúa a cair devido a uma acção de Adrien. Na repetição, parece lance para grande penalidade.
O Sporting tentava, mas depois ficou reduzido a 10 unidades, por expulsão de Elias, e começaram a faltar as forças aos jogadores leoninos.
O empate manteve-se, e o Sporting distancia-se ainda mais da liderança, ficando agora a 6 pontos de Benfica e FC Porto. O clássico da próxima jornada ganha agora uma maior importância para a equipa do Sporting que, caso perca, pode ficar irremediavelmente afastada do título.
Resultado final: 1-1
Olhanense x Braga – Este foi o último jogo do campeonato em 2011. E que jogo! Sem dúvida, o melhor jogo da jornada. Para se ter a noção, o Braga saiu para o intervalo a perder por 2-0, e acabou a segunda parte a ganhar 4-3. Grande primeira parte do Olhanense, que poderia ir para o intervalo a ganhar por mais golos de vantagem, e grande atitude o Braga, que conseguiu frescura mental e física para conseguir dar a volta a um jogo que parecia perdido.
No Olhanense, Paulo Regula fez a sua estreia em jogos do campeonato esta temporada, e logo a titular. O médio português, natural de Sarilhos Pequenos, não poderia almejar melhor estreia, tendo sido o melhor jogador da equipa algarvia. Regula relegou Mateus para o banco, e Maurício regressou para o lugar de Mexer, que cumpriu castigo. Daúto faquirá apostou num novo esquema táctico, apostando num 4x3x3, com Cauê a jogar ao lado de Regula, no apoio ao ataque, constituído por Salvador Agra, Yontcha e Wilson Eduardo. O treinador do Olhanense acertou em cheio no desenho táctico, projectando a equipa algarvia para uma das melhores primeiras partes desta temporada. O Braga não conseguia sair a jogar, sendo obrigado a jogar pelos flancos, onde só o lado direito funcionou.
O Olhanense marcou cedo, logo aos 4 minutos, por intermédio de Cauê, com um remate fraco e colocado que surpreendeu Quim. A Olhanense ainda poderia ter marcado muitos mais golos, com Cauê, Wilson Eduardo, Salvador Agra e Yontcha a serem as maiores fontes de desperdício, muito devido à acção de Quim, que impediu males maiores. Depois foi a vez de Mauricio e Regula, que não conseguiram acertar com a baliza. Aos 36 minutos, Yontcha consegue fazer o que os seus companheiros não estavam a conseguir: ampliou a vantagem da equipa de Olhão.
O Braga era uma sombra de si próprio, não conseguia ter a bola. Só aos 18 minutos criou algum perigo na baliza adversária, com Alan a rematar por cima da baliza de Fabiano.
Naturalmente que Leonardo Jardim não estava satisfeito com o comportamento da sua equipa. Por isso, lançou Hélder Barbosa e Carlão, no inicio da segunda parte, para o lugar de Mossoró e Paulo César. As alterações surtiram o efeito desejado, e os papéis inverteram-se nesta segunda parte: o Braga passou a ter bola, dominando a segunda parte, e a Olhanense não conseguia responder às iniciativas atacantes bracarenses.
O Braga começou muito bem na segunda parte, e revelou a eficácia que a Olhanense não teve na primeira parte. Aos 53 minutos deu inicio à histórica reviravolta, com um golo marcado por Douglão, após a marcação de um canto. No minuto seguinte, a equipa bracarense podia empatar a partida, mas Fabiano opôs-se bem a um remate de Carlão. Mas nada podia fazer aos 64 minutos, quando Elderson finalizou da melhor maneira de cabeça, num lance em que a equipa algarvia fica a pedir fora-de-jogo. Cinco minutos depois, a equipa bracarense finaliza a reviravolta no marcador, num lance infeliz de Maurício, que introduziu a bola na sua própria baliza. Dois minutos depois, Lima aumenta a vantagem bracarense, num lance muito parecido com o do último golo.
Mas a Olhanense não baixou os braços. Aos 74 minutos, Cauê reduziu a desvantagem e recolocou a equipa de Olhão na discussão do jogo. Daúto Faquirá apostou tudo, fazendo entrar Djalmir, Mateus e Meza. Depois Salvador Agra desperdiça uma grande oportunidade para voltar a empatar a partida.
Mas, aos 85 minutos, o guarda-redes Fabiano foi expulso, por ter defendido um remate de Hélder Barbosa fora da grande área, e as ambições da equipa da Olhanense de querer empatar a partida sofreram um grande revés. Na última jogada do encontro, Djalmir teve o empate nos pés, mas atirou por cima.
O Braga acabou por merecer este resultado, que foi um castigo demasiado pesado para a falta de eficácia atacante da Olhanense.
Resultado final: 3-4
Resultados da 13ª jornada da Liga Zon Sagres:
















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