O luta pelo primeiro lugar acabou por aquecer ainda mais! A vantagem de 2 pontos do Benfica esfumou-se esta jornada, isto quando na próxima sexta-feira vamos ter o ainda mais escaldante Benfica x FC Porto. O Braga, embora o seu treinador não admita, confirmou que vai lutar pelo primeiro lugar esta época. O facto do Braga não dar sinais de quebra dificulta ainda mais a vida ao Sporting, que tem como objectivo chegar ao terceiro lugar, que dá acesso à Liga dos Campeões. A equipa leonina já convenceu os adeptos com a boa exibição realizada frente ao Rio Ave, e não deixou escapar o Marítimo, encontrando-se em igualdade pontual com a equipa insular. Deixo-vos com a análise dos jogos mais importantes da 20ª jornada da Liga Zon Sagres.
Académica x Benfica – Estes dois jogos realizados fora de casa da equipa encarnada eram de carácter vital para a equipa de Jorge Jesus, de forma a chegar ao clássico da próxima sexta-feira com uma confortável vantagem de 5 pontos em relação à equipa azul-e-branca, colocando a pressão da vitória toda do lado portista.
Mas o Benfica facilitou quando não devia ter facilitado, e em duas jornadas perdeu os 5 pontos de vantagem relativamente ao FC Porto, colocando a equipa encarnada sob pressão, dado que, caso o FC Porto vença o seu jogo, pode colar-se à equipa encarnada na liderança do campeonato. Este foi o terceiro jogo consecutivo sem ganhar, e o segundo consecutivo em que não marcou nenhum golo.
À partida para este jogo, a margem de manobra encarnada era bastante apertada. Do jogo de Guimarães para este, a equipa de Jorge Jesus esteve melhor em certos aspectos, como na pressão atacante e circulação de bola. A Académica foi uma equipa que limitou-se a defender o empate, fruto de 7 jogos sempre a perder para o campeonato. Mas o Benfica pecou na finalização, desperdiçando várias possibilidades de golo, algumas de forma inacreditável.
É justo dizer que muito deste resultado se deveu a Peiser, que fez uma grande exibição, trancando as portas da baliza estudante.
O jogo abriu praticamente com um lance polémico na área da Briosa, num cruzamento de Bruno César que esbarra num braço de Cédric. As águias impunham o ritmo e, pouco depois, apareceu a primeira grande ocasião, na cabeça de Aimar.
Peiser fez então a sua primeira grande defesa da noite face a um golo iminente. Os encarnados mantinham-se instalados no meio-campo da Académica, chegavam rapidamente a zonas de finalização, mas, uma vez lá chegados, faltava sempre qualquer coisa.
Maxi Pereira e Matic destacavam-se nesta fase do jogo, empurrando a equipa para a frente, perante um adversário que convidava ao ataque, mas quando a bola não falhava o alvo havia Peiser ou um defesa mais afoito. Cardozo, numa noite desinspirada, esgotaria as oportunidades da primeira parte.
Era evidente que o Benfica tinha de dar mais poder de fogo ao ataque e se, em Guimarães, Jesus foi criticado por ter entrado com um onze demasiado ofensivo, além de ter demorado a mexer na equipa, em Coimbra, fez o contrário. Logo ao intervalo, mudou o o 4x2x3x1 para um 4x1x3x2 , com a troca de Matic por Nélson Oliveira.
O jovem avançado entrou disposto a mudar os acontecimentos, isolou-se, e, logo na primeira jogada da segunda parte, ficou a centímetros do golo. A Académica ainda respondeu, mas havia, definitivamente, mais vermelho na partida. Prova disso foi a bola enviada à barra por Flávio Ferreira, num corte providencial quando Cardozo tinha tudo para marcar.
Peiser também ajudou a manter o marcador a zero, ao defender os remates de Nélson Oliveira e Maxi Pereira. Os estudantes defendiam-se como podiam da avalancha ofensiva encarnada, às vezes até recorrendo à falta, como aconteceu num derrube de Flávio Ferreira sobre Aimar em plena área que o árbitro não terá visto.
Com o avançar do tempo, o Benfica ia perdendo a paciência e recorria ao futebol directo para tentar chegar ao golo, mas estava a facilitar a tarefa da defesa da Académica, que conseguiu manter o empate até final da partida.
Com este resultado, o Benfica pode ver o FC Porto colar-se a si na liderança do campeonato. E o clássico é já na sexta-feira…
Resultado final: 0-0
Sporting x Rio Ave – Com esta vitória, Sá Pinto leva já dois jogos consecutivos a vencer no campeonato. Os leões somam mais três pontos e não deixam fugir o Marítimo, mantendo vivo o sonho de chegar ao 3º lugar.
A vitória do Marítimo na sexta-feira não colocou maior pressão sobre o Sporting, porque está mais preocupado em curar as suas próprias feridas. A vontade existe, os resultados também, mas falta ainda uma melhor qualidade de jogo para credibilizar os bons resultados. O Sporting já jogou bem melhor do que tinha jogado frente ao Paços de Ferreira, mas não é suficiente para quando os jogos a doer aparecerem.
O Rio Ave bateu-se pelos pontos até ao último minuto, apresentou uma frente muito combativa (Atsu foi um perigo apontado à baliza de Marcelo), uma defesa organizada e moral suficiente para não recear um leão renovado.
A ausência de Rui Patrício, por opção técnica, uma vez que não está lesionado, foi a surpresa na convocatória, tal como no onze surpreendeu a ausência de Matías, jogando no seu lugar Elias. Já Carlos Brito apostou na titularidade do jovem Atsu, cedido pelo FC Porto.
Não foi uma vitória fácil para o Sporting, pelo contrário, o Rio Ave esteve algumas vezes quase a fazer o golo, mas a equipa leonina soube resistir à pressão de ter de ganhar. A exibição de Izmailov ajudou muito, mas também Capel e Polga foram fundamentais para empurrar a equipa para a frente e travar o endiabrado Atsu.
Polga, de bola parada, esteve por duas vezes muito perto de marcar, primeiro aos 19 minutos, depois aos 58, ambos remates fortes e por cima da barra da baliza de Huanderson.
Marcelo também merece atenção. Afinal não é todos os domingos que se substituiu o até então insubstituível Rui Patrício no campeonato. O brasileiro cumpriu e chegou mesmo a negar o golo a Atsu, aos 33 minutos, pouco antes de Izmailov.
E que grande golo do pequeno médio russo. A 30 metros da baliza, Izmailov tirou dois adversários do caminho para fuzilar do meio da rua a baliza do Rio Ave e colocar o Sporting na frente do marcador.
O Sporting brilhou mas logo descuidou... João Tomás à beira do intervalo. Valeu o desacerto do goleador português que, sem marcação junto ao segundo poste, acabou por falhar o alvo.
O Rio Ave entrou na segunda parte como na primeira, a criar perigo, mas sem encontrar o fundo à baliza de Marcelo. Atsu protagonizou a primeira oportunidade, aos 51, com um remate fortíssimo ao lado. A falta de pontaria foi o seu principal obstáculo.
Também o Sporting desperdiçava as suas oportunidades, com Wolfswinkel a falhar diversas vezes à entrada da baliza, enquanto que Capel e Elias atiravam ao lado.
O Rio Ave continuava a ameaçar, mas a equipa leonina conseguiu sempre resistir aos ímpetos da equipa vila-condense. O Sporting mantém-se assim colado ao Marítimo, na quarta posição.
Resultado final: 1-0
FC Porto x Feirense – O FC Porto aproveitou da melhor maneira o deslize benfiquista em Coimbra para voltar à liderança (ainda que partilhada) do campeonato português. Mas foram precisos 68 minutos para que os adeptos portistas que se deslocaram ao Estádio do Dragão pudessem festejar um golo. Tudo isto devido a um jogador: Paulo Lopes.
O guardião do Feirense foi uma muralha entre o F.C. Porto e o primeiro lugar que a equipa de Vítor Pereira teve muita dificuldade para escalar. Deu seguimento ao que vinha a fazer: em dois jogos, nenhum golo sofrido na casa portista. Esta noite foi enorme. Enquanto pôde…
Mesmo elogiando a organização da turma de Quim Machado, que, como prometido, deixou o autocarro na garagem, é preciso perceber que o arrastar do jogo em muito se deveu a uma atitude errónea e demasiado passiva na primeira parte. Foram maus os 45 minutos inaugurais do F.C. Porto. Quem quer ganhar no Estádio da Luz tem que fazer mais. Muito mais.
Este foi mais um exemplo daquilo que costumam ser os jogos da equipa portista em casa. Nunca conseguem resolver um jogo na primeira parte.
Vítor Pereira apostou no onze esperado. Voltou a dar a titularidade a Varela, mas o português, pouco depois de atirar ao lado a primeira oportunidade portista, lesionou-se e deu o lugar a James.
O Feirense foi dando sempre que fazer. Mesmo com o público a reclamar das constantes quedas e assistências médicas, a estratégia dos homens de Quim Machado foi muito mais do que jogar com o relógio. Houve pressão, algum atrevimento e solidez defensiva.
Quando a muralha rachava, aparecia Paulo Lopes impedir os golos. Tremenda a exibição do guardião, um dos bons valores desta Liga que parece nunca ter tido o reconhecimento devido.
A defesa ao livre de Hulk, na primeira parte, foi a primeira de uma sequência que levou o Dragão a um completo estado de nervos. No mesmo período, ainda evitou que James festejasse e no segundo tempo, até ao golo, deu um festival. Tapou o caminho a Lucho, num lance em que o argentino até estava em fora de jogo; evitou que Janko marcasse pelo quarto jogo consecutivo; defendeu um remate de James de fora da área e ainda a recarga de Janko. E, claro, parou um penalty.
O FC Porto já massacrava. A expulsão de Luciano no lance do penalty expunha ainda mais a linha defensiva do Feirense.
Chegou, então, aquele minuto 68. Um livre de James descobriu a cabeça de Maicon que abriu finalmente o ferrolho. Respirava fundo o Dragão, que pouco depois, na melhor jogada coletiva do encontro, viu James sentenciar o encontro.
Com este resultado, o FC Porto cola-se ao Benfica na liderança no campeonato.
Resultado final: 2-0
Braga x Vitória de Guimarães – É caso para dizer: abram alas ao candidato!
O derby do Minho provou que a equipa de Leonardo Jardim, agora a três pontos da liderança, terá de ser levado bem em conta porque, verdade seja dita, está a jogar como poucos e, com toda a calma, passou por cima da equipa que provocou a primeira derrota na Liga ao Benfica.
A goleada de 4-0 espelha bem a diferença entre as duas equipas: Braga é candidato ao título. Mesmo que Leonardo Jardim não o assuma.
Duas saídas em falso de Nilson ditaram dois golos em outros tantos lances de bola parada. Para quem tinha feito uma grande exibição frente ao Benfica é inadmissível estes erros.
A expulsão de Freire, por agressão a Hélder Barbosa, foi a machadada final no jogo. O jogo ficava resolvido à meia hora de jogo. Era difícil prever que, com dez, o Vitória conseguisse o que nunca fez no período de igualdade numérica.
A forma simples como o Sp. Braga resolveu um jogo sempre delicado, até pelo peso histórico, diz muito do estofo que esta equipa já tem.
Lima não esteve na mais inspirada das noites. Atirou ao lado, na cara de Nilson, na primeira parte, e repetiu a façanha, de cabeça, na segunda, após centro de Douglão, e antes de marcar o golo que o isola na frente dos melhores marcadores da Liga, de grande penalidade, já no último quarto de hora.
O Braga é, neste momento, uma equipa muito confiante. Se Salino representa a garra, Hugo Viana é o exemplo claro da confiança que este Braga transpira. Neste ponto é, sem dúvida, a equipa número um da Liga. Com um Benfica estranhamente nervoso e um F.C. Porto que convence a espaços, o Braga mostra-se com créditos firmados e um pecúlio já impressionante: foi a nona vitória seguida na Liga.
O Vitória de Guimarães começou a afundar-se no golo de Elderson e só parou no apito final. Só teve duas oportunidades de golo. Rodrigo Defendi obrigou Quim à defesa da noite ainda com o resultado em 1-0. Edgar quase aproveitou uma atrapalhação da defensiva da casa para reduzir para 2-1.
E não houve mais. Acabou engolido pelo Braga o capital de moral ganho na vitória sobre o Benfica.
Resultado final: 4-0
Resultados da 20ª jornada da Liga Zon Sagres:
















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