Dos criadores de Piratas das Caraíbas, chega-nos a aventura western O Mascarilha. É a adaptação cinematográfica da popular série dos anos 50; o último filme foi feito há mais de 32 anos. Gore Verbinski realiza um argumento de Ted Elliot, Terry Rossio e Justin Haythe, nesta produção de Jerry Bruckheimer. Numa produção marcada por problemas de orçamento que conduziram ao cancelamento prematuro da produção para depois retomar às filmagens, estaria este filme condenado desde o início da produção? Sim.
Johnny Depp é Tonto, um nativo Americano de espírito guerreiro, que relata as histórias inéditas das suas aventuras ao lado John Reid, interpretado por Armie Hammer, um homem da lei, num lendário justiceiro - levando o público numa corrida de cavalo pelo Velho Oeste, com momentos de tensão humorística, enquanto estes dois heróis improváveis e completamente opostos, aprendem a trabalhar juntos no combate à ganância e corrupção.
A dupla Depp e Hammer é, provavelmente, o único aspecto positivo do filme. O talento de Depp para interpretar personagens pouco usuais (não esquecer o Capitão Jack Sparrow, o Chapeleiro Louco, Eduardo Mãos de Tesoura, entre outros) adicionado à representação humorística de Hammer garante ao público momentos de risos.
Infelizmente, estes dois não chegam para compensar os aspectos negativos deste filme.
O argumento é tão seco quanto o ambiente desértico. Oferece uma história genérica típica dos western e, pelo meio, encontra-se cheiro de ideias que deviam ter sido repensadas antes de as colocar no filme. O que resultou na desproporcional duração do filme; 2 horas e 30 minutos é um exagero, quando apenas 2 horas chegavam.
O certo é que o filme ainda se esforça por entreter. Os momentos de acção garantem um acordar em relação à sonolência do resto do filme. Seriam perfeitos se não fosse o excesso de acção, possível de reparar logo nos primeiros minutos de filme. Como dizem os ingleses, “too much, too soon”. Acresce a isto o facto de o Mascarilha ser uma personagem totalmente desconhecida à geração actual, o filme merecia um tratamento mais cuidado.
No fim, O Mascarilha é um filme ambicioso e inventivo, que brinca com as expectativas do público. É demasiado cheio em ideias e pobre em história. É uma trapalhada – uma que entretém, com certeza, mas ainda assim, é uma trapalhada.
















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