Passou-se um ano desde que vimos no grande ecrã, pela primeira vez, o mundo fictício de Panem criado pela autora Suzanne Collins. O êxito de bilheteira de 2012 entrou na Sétima Arte com lucros superiores a 691 milhões de dólares mundialmente e deixou os fãs a salivar pelo próximo. A espera terminou. The Hunger Games: Em Chamas chegou.
Francis Lawrence substitui Gary Ross como realizador. O trabalho de Ross, que no filme anterior foi muito bem recebido, é levado mais à frente com uma fotografia totalmente mais avançada, cenários mais elaborados e efeitos especiais que dão a conhecer ao público Panem numa perspectiva mais aprofundada, reflectindo perfeitamente o luxo e superficialismo do Capitólio em contraste com a pobreza e miséria dos distritos. Lawrence não é nenhum estranho com filmes pós-apocalípticos, tendo realizado o êxito de “fim do mundo” de 2007 Eu Sou a Lenda (e também pôde contar com a ajuda da Lionsgate com o orçamento de 140 milhões de dólares contra os 88 milhões do primeiro filme). Francis Lawrence provou mais uma vez que é um realizador talentoso e aguarda-se com muito expectativa o seu trabalho na adaptação do terceiro livro da trilogia, que será dividido em dois filmes.
Jennifer Lawrence regressa como Katniss Everdeen e, tal como o nome do filme, a sua prestação está “em chamas”. Esta Senhora(!), cuja popularidade tem vindo a aumentar, tem uma representação infalível da personagem principal e transmite a sua evolução de rapariga do Prado do Distrito 12 para Vencedora dos Jogos traumatizada na perfeição. Josh Hutcherson (Peeta Mellark), Woody Harrelson (Haymitch), Elizabeth Banks (Effie Trinket), Liam Hemsworth (Gale Hawthorne) e Donald Sutherland (Presidente Snow) continuam a sua prestação memorável e emocionante do primeiro filmes e Sam Claflin (no papel de Finnick), Jena Malone (como Johanna Mason) e Lynn Cohen (como Mags) são 3 das novas personagens que irão marcar o filme e fazer as delícias dos fãs.
Os Jogos deste filme são muito mais avançados e mais divertidos de ver. Estes são os “Jogos Olímpicos” dos Jogos da Fome com os melhores a lutar contra os melhores. No entanto, este filme é ligeiramente menos violento que o anterior. Contudo, o enredo desenvolve-se com uma grande pulsação de energia arrepiante. O que é mais empolgante é (para quem não leu o livro) é que nunca sabemos quem está do lado da Katniss. Em quem pode ela confiar?
E tal como qualquer adaptação cinematográfica de um livro, este filme evidencia algumas diferenças em relação à obra literária. O primeiro filme não foi excepção. Mas a verdade é que as diferenças são mínimas; a história e o conceito está presente e o argumento está a 98% igualzinho aos diálogos do livro, com as diferenças nalguns momentos que foram acrescentados ao filme que estão implícitos no livro.
The Hunger Games: Em Chamas é mais empolgante, mais intenso e mais inteligente que seu antecessor. Num combate corpo-a-corpo, ele teria o primeiro filme no chão, preso num boqueio de cabeça, a implorar por misericórdia. São 2 horas e 30 minutos de tirar o fôlego que não se arrastam por um segundo. O filme mostra-se e sente-se épico. Mas importa salientar uma coisa: o filme combate o zeitgeist da sua sociedade – quando o dinheiro está nas mãos de uns, a sorte não está do lado de outros. Curioso como isso se aplica aos nossos dias.
















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