Crítica: “Maléfica” é uma encantadora revisão do popular conto infantil com uma Angelina Jolie renascida como a perfeita vilã-heroína

 

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Numa combinação de Walt Disney, James Cameron, ilustrações visuais dignas dos populares ilustradores de contos infantis Arthur Rackham e Sir John Tenniel, e uma boa dose de nostalgia, Maléfica é um daqueles espectáculos da era do CGI que vale a pena ver. Definitivamente, existe uma certa qualidade de excessos em torno de Maléfica, que marca a estreia na realização do profissional de efeitos visuais Robert Stromberg, como comer os doces todos de Natal de uma só vez. Ao menos é um doce delicioso; grande parte do filme é passado num terra tirada de um livro de um conto de fadas que gradualmente evolui para as trevas – o mundo de A Princesa Prometida, colonizado por Mordor e o resto uma corrupção real quase digna de Guerra dos Tronos.

De longe e o mais eficaz efeito especial em Maléfica é, contudo, a majestosa e sarcástica Angelina Jolie no papel titular, como uma fada princesa traída e vingativa que vai espantar audiências pelo mundo fora, especialmente as adolescentes. Sim, a figura estatuesca de Jolie e a sua cara memorável foram realçadas coma magia dos efeitos visuais. As suas bochechas verdadeiras não são tão exageradas, aquele brilho verde nos seus olhos é artificial, e ela na realidade não tem cornos. Mas a sua postura régia, a dor interna e orgulho ferido, e a qualidade de vilã-pantomima com sotaque inglês é tudo Jolie, e é excelente vê-la a divertir-se num papel principal de novo e a fazendo-o bem pelo caminho.

Dá para perceber porque razão muitos críticos estão a dar a Maléfica notas medianas: é uma mistura de estilos, e quase tudo no filme se assemelha a um ou outro dos inúmeros filmes de fantasia e série de TV dos últimos 15 anos. Mas o público-alvo da Disney para este filme não são jornalistas de meia-idade. São os adolescentes, particularmente as raparigas, que estão prontos para fazer um upgrade de Frozen: O Reino de Gelo e Brave: Indomável, juntamente com as suas mães. Esse público vai ficar absolutamente emocionado com esta fábula pouco subversiva de vingança e solidariedade feminina. Mas não são apenas as audiências femininas. Verdade seja dita, um monte de irmãos, namorados e pais, que podem até afirmar que não querem ir ver o filme, se vão divertir muito também, pois esta película, além de ser Disney, traz-nos de volta a nostalgia da infância passada de quando éramos todos crianças a ver A Bela Adormecida (1959), também da Disney. Como se não bastassem os famosos cornos na cabeça da protagonista, ainda temos um castelo no filme que consiste na recriação do castelo do famoso filme animado e a cantora Lana Del Rey presenteia-nos com a sua versão arrepiante da eterna Once Upon A Dream.

A veterana argumentista da Disney Linda Woolverton tem uma mão experiente com este género e este público (ela escreveu: A Bela e o Monstro, O Rei Leão e Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton), mas este filme transmite especialmente a sensação de um trabalho de amor. É fácil criticar a Disney pelos seus crimes ideológicos e estéticos ao longo das décadas, ao retratar personagens femininas frágeis e indefesas. Mas na era John Lasseter, os filmes da Disney têm feito um esforço  para retratar personagens femininas de uma forma diferente, como os protagonistas de suas próprias histórias ao invés de inocentes objectos e donas de casa felizes  Não me interpretem mal - Branca de Neve e os Sete Anões é um grande filme, e um marco na história da animação. Mas qual é a primeira coisa que a Branca de Neve faz quando ela se muda para a casa dos anões? Vai lavar os pratos.

Maléfica, aqui, não está a lavar o raio dos pratos. Angelina Jolie faz um trabalho tremendo a retratar uma personagem anti-heroína, traída e humilhada. Mesmo quando a história reverte para momentos já banais em filme, ela mantém o seu domínio com confiança. Elle Fanning faz um trabalho aceitável como Aurora e Sharlto Copley está esquecível num papel fraco, e nem as três fadas (protagonizadas por Lesley Manville, Imelda Staunton e Juno Temple) se destacam muito, apesar de terem um certo encanto e irão com certeza apelar a audiências mais jovens. Mas o filme todo é Angelina Jolie.

Mas qualquer que sejam as suas falhas, Maléfica é uma aventura Disney familiar que oferece uma versão alternativa ao popular conto infantil de Charles Perrault e uma interpretação completamente deliciosa de Angelina Jolie, que sugere que o amor é muitas vezes uma armadilha, e que propõe que as famílias que construímos e/ou descobrimos à medida que crescemos pode ser mais gratificante do que aquela em que nascemos.

star_groups Muito Bom

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