Antes de uma semana decisiva para o apuramento da Selecção portuguesa para o Europeu de 2012, tivemos mais uma jornada do campeonato português. Esta foi uma jornada pautada pela surpreendente derrota do Braga, frente à União de Leiria. Deixo-vos agora com a análise dos jogos mais importantes da 7ª jornada da Liga Zon Sagres.
Benfica x Paços de Ferreira – De forma completamente merecida, rubricando uma boa exibição, embora não tivesse sido das melhores realizadas esta época, o Benfica venceu o Paços de Ferreira de forma categórica, mantendo-se assim na liderança do campeonato, independentemente do que o FC Porto e o Braga fizessem nos seus jogos. Verdade seja dita, não foi das melhores exibições da equipa encarnada, que não se livrou de alguns sustos no início da segunda parte, com o Paços de Ferreira a reduzir o marcador, isto quando o Benfica já vencida por 2-0, e quase que fazia o empate, se Artur não fizesse (mais uma vez) uma defesa impossível. Esta exibição mais frouxa do Benfica deve-se, sobretudo, à sobrecarga de jogos de alguns jogadores. Notou-se muito isso em Gaitán, que não esteve tão activo como de costume, mas não deixou de rubricar uma boa exibição. Quem esteve em grande nível foi Saviola, que bisou na partida, algo que não fazia à largos meses. Depois da jornada europeia, Jorge Jesus deixou de fora Witsel, metendo Saviola no onze inicial. O treinador do Paços de Ferreira surpreendeu ao deixar Michel, uma das figuras da equipa, no banco, metendo William no seu lugar, mas foi em vão, já que o jogador pacense lesionou-se aos 36 minutos. O Benfica deu o primeiro sinal de perigo, aos oito minutos, com Cardozo a chegar a introduzir a bola no fundo da baliza, só que o árbitro Bruno Esteves assinalou fora-de-jogo do avançado paraguaio. Foi uma má decisão da equipa de arbitragem, já que nas imagens televisivas percebe-se que Cardozo está em linha com a defesa adversária. Não marcou Cardozo, marcou Saviola, 14 minutos depois. Após um excelente cruzamento de Maxi Pereira, Cardozo não desistiu do lance e assistiu de cabeça Javier Saviola, que empurrou para o fundo da baliza. Estava feito o primeiro golo da partida, aos 22 minutos. Mas Saviola não estava satisfeito, queria marcar mais golos. Foi isso que aconteceu, em cima do intervalo, quando Saviola aparece ao segundo poste, após um canto marcado por Gaitán, e o avançado argentino só teve que encostar. Ainda antes do intervalo, novo lance polémico dentro da grande área pacense: Aimar é claramente derrubado por Eridson. O árbitro esteve outra vez mal, ao deixar seguir o jogo sem assinalar a grande penalidade. Saviola entrou na segunda parte como tinha terminado a primeira, com fome de golos. Só que desta vez Cássio evitou que o argentino fizesse um “hat-trick”. Quando se pensava que o Benfica tinha o jogo controlado, eis que as coisas começaram a correr mal para a equipa encarnada. Luisão comete um erro, fazendo falta dentro da grande área sobre Luisinho. Desta vez o árbitro assinalou (e bem) a grande penalidade, que Michel aproveitou para reduzir para 2-1. Quase imediatamente após o golo, a equipa do Paços de Ferreira esteve muito perto de fazer o golo do empate, só que Artur, com uma defesa impossível, evita que Melgarejo (avançado paraguaio emprestado pelo Benfica) reestabeleça a igualdade no marcador. O susto serviu para o Benfica acordar, e Luisão, aos 67 minutos, redimiu-se do erro cometido minutos antes, e ampliou a vantagem dos encarnados. Nolito, que tinha entrado para o lugar de Bruno César, aproveitou e fez a goleada, com uma assistência de Saviola. Com este resultado, e acontece o que acontecer nos jogos de FC Porto e Braga, mantém-se na liderança.
Resultado final: 4-1
União de Leiria x Braga – Logo numa altura em que o Braga não podia falhar, eis que a equipa minhota volta a claudicar, tendo sido derrotada pela União de Leiria. Este foi um regresso feliz de Manuel Cajuda ao futebol português, agora aos comandos da equipa leiriense. Foi graças a um golo de Luís Leal que Cajuda venceu o seu primeiro golo aos comandos do Leiria. Leonardo Jardim, treinador do Braga, esteve infeliz nas suas escolhas, quer para a equipa inicial quer nas substituições, num encontro que foi disputado num relvado em muito mau estado. Por isso foi um jogo disputado num ritmo que apenas dava vontade de dormir, muito devido à União de Leiria, que ainda está à procura de identidade própria, devido ao facto de ir já no seu terceiro treinador. Como seria de esperar, foi o Braga que procurou logo assumir as despesas do jogo, apresentando quatro alterações (Imorou, Salino, Mérida e Carlão). Só que foi sempre uma equipa com pouca dinâmica. Para exemplificar o baixíssimo ritmo em que a primeira parte foi disputada, durante os 45 minutos só houve quatro remates, o primeiro dos quais aos 20 minutos (!), com Mossoró a aparecer isolado mas a atirar por cima. Mas, como diz o ditado popular, que não marca arrisca-se a sofrer. E foi assima que aconteceu, aos 28 minutos, com Luís Leal, aproveitou para fazer o primeiro (e único) golo da partida, na primeira vez que a União de Leiria foi à baliza. Luís Leal foi feliz da forma como fez o golo, já que o seu remate ressaltou em Paulo Vinícius, traindo Quim, o guarda-redes bracarense. Ao intervalo, Leonardo Jardim tentou reagir à apatia que a sua equipa mostrava em campo, lançando Nuno Gomes, mas pouco ou nada melhorou. Mais tarde, o treinador bracarense meteu Hélder Barbosa e Lima, só que as alterações voltaram a não surtir o efeito desejado. A União de Leiria, esteve muito perto de fazer o segundo, mas Djaniny não aproveitou as duas oportunidades de que dispôs, aos 49 e aos 55 minutos. Do lado do Braga, só Nuno Gomes é que criava perigo, só que Manuel Curto, em cima da linha, evitou o golo, após cabeceamento do avançado português. Até final do jogo, o Braga fartou-se de “bombardear” a grande área leiriense, mas a equipa de Leiria segurou a vantagem. Com este resultado, o Braga atrasa-se na luta pelo primeiro lugar, estando em terceiro lugar, em igualdade pontual com o Sporting e Marítimo. Em relação à União de Leiria, é 13ª classificada, a um ponto de Feirense, Nacional e Beira-Mar, e com dois pontos de vantagem sobre Vitória de Guimarães e Paços de Ferreira.
Resultado final: 1-0
Vitória de Guimarães x Sporting – Definitivamente o Sporting está num grande momento. Diego Capel foi o homem do jogo, conduziu o Sporting à sexta vitória consecutiva (quarta na Liga), prolongando um mês de sonho. Como nos últimos jogos, a equipa leonina começou a todo o gás, tentando marcar cedo. Foi isso que aconteceu, com Capel a marcar o golo que iria dar a vitória aos leões, aos 8 minutos de jogo. O Vitória de Guimarães só conseguiu equilibrar as coisas a partir do momento em que Bruno Paixão expulsou (mal) Rinaudo, aos 22 minutos de jogo. Bruno Paixão provou, mais uma vez, que gosta de ganhar protagonismo nos jogos. Num lance que aparentava ser normal, com Rinaudo a arriscar um carrinho, Bruno Paixão conseguiu ver uma agressão, expulsando o jogador argentino. No limite, este lance poderia ser classificado como entrada arriscada, mas aí o jogador argentino tinha que ser punido com um amarelo, nunca com um vermelho. Árbitro à parte, na primeira parte houve poucas dúvidas qual é que era a melhor equipa em campo. O Vitória de Guimarães cometia erros atrás de erros. O Sporting era a equipa que mandava no jogo. Ao intervalo, o melhor da equipa vimaranense era mesmo Nilson. O guardião evitou que a vantagem leonina fosse maior, ao defender alguns remates perigosos do Sporting. O Vitória de Guimarães, na primeira parte, não aproveitou o facto de ter mais um jogador em campo que a equipa adversária, com Edgar a ser exemplo disso, ao cabecear ao lado da baliza, quando só tinha o guarda-redes leonino pela frente. A segunda parte foi diferente. O Vitória de Guimarães assumiu a iniciativa do jogo e o Sporting, ciente que tinha de defender o resultado, recuou o bloco. Era o melhor período vimaranense, com o jogo a ser de sentido único, com o Sporting longe da área de Nilson, e o Vitória de Guimarães a pressionar, mas sem grande convicção. Ao minuto 71 a equipa da casa mostrava grande falta de pontaria, com Soudani a rematar por cima. Nas substituições, Domingos Paciência limitava-se a refrescar a defesa, lançando Evaldo, André Santos e Carriço. O treinador do Sporting revelava grande sensatez e humildade, aceitando o sofrimento que a equipa tinha que passar, se queria ganhar o jogo. Esta foi a segunda vez que o Sporting defendeu a vantagem pela margem mínima, a primeira foi frente à Lázio. Com este triunfo, o Sporting continua a subir na tabela classificativa, encontrando-se agora na quinta posição, com os mesmos pontos de Marítimo e Braga. Do lado do Vitória de Guimarães, a equipa está na 14ª e ante-penúltima posição a dois pontos da União de Leiria.
Resultado final: 0-1
Académica x FC Porto – Com este resultado, o FC Porto dá uma autentica sapatada na crise que se tinha instalado no reino do dragão, devido a três jogos sem conseguir vencer. A equipa azul-e-branca recupera assim a liderança do campeonato português, com os mesmos pontos do Benfica. À partida para este jogo, o FC Porto era uma equipa que estava obrigada a vencer, depois de ter visto o seu rival Benfica ganhar o seu jogo e colocar-se na liderança isolada. Estranhamente, a Académica foi uma sombra daquilo que tem sido ao longo desta época, quando joga em casa. Ainda não tinham perdido qualquer jogo em casa, nem tinham consentido qualquer golo. A Académica estava numa excelente quinta posição e, caso ganhasse aos dragões, poderia mesmo ultrapassar a equipa portuense na classificação. Para além disso, Pedro Emanuel, treinador da Académica, iria defrontar Vítor Pereira, que tinha sido seu colega, quando ambos eram adjuntos de André Villas Boas. Portanto, este jogo tinha excelentes perspectivas. O inicio da partida foi disputado em bom ritmo, com a Académica a estar muito bem posicionada no terreno, deixando pouco espaço para o FC Porto se mover. Mas os dragões cedo se superiorizaram ao adversário pelo ar. E foi pelo ar que surgiu o primeiro golo portista, aos 26 minutos. Fucile acelerou, deu para Hulk, que serviu Walter (que rendeu o lesionado Kléber) na grande área e fez o primeiro golo da noite. Ainda mal a Académica tinha digerido o primeiro, já tinha sofrido o segundo golo da noite, num lance onde a sua defesa falhou. Aos 32 minutos, Cédric e Real não acompanharam a subida dos laterais, colocando assim James em jogo, que aproveitou a situação para fazer o segundo golo portista. A partir do segundo golo, tudo se tornou mais fácil para a equipa portista, que passou a dominar o meio-campo, junto à grande área dos estudantes. Eram tantas as facilidades que Guarin elevou a contagem para 3-0, aos 59 minutos. Estava feito o resultado final. Com esta vitória, o FC Porto voltou para a primeira posição, com os mesmos pontos do Benfica. Quanto à Académica, desce para a sexta posição, a dois pontos de Marítimo, Sporting e Braga, e com dois pontos de vantagem sobre o Vitória de Setúbal.
Resultado final: 0-3
















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