Esta foi uma jornada sem grandes surpresas. Todas as equipas candidatas ao título venceram os respectivos jogos. Mas o FC Porto foi quem teve mais dificuldades, arrancando a vitória a ferros. Deixo-vos agora com a análise dos jogos mais importantes da 12ª jornada da Liga Zon Sagres.
Braga x Paços de Ferreira – A diferença de golos engana um bocado. Nem o Braga foi tão dominador, nem o Paços de Ferreira jogou assim tão pouco.
O jogo começou com o Braga a dominar claramente as operações. O Paços de Ferreira começou o jogo extremamente mal, com uma agressividade (quase) inexistente, aparentando uma fragilidade semelhante ao de uma casca de ovo. A equipa bracarense aproveitou a tremenda debilidade da equipa pacense e a tremenda falta de agressividade, e cedo chegou à vantagem. Aos 3 minutos, Alan inaugurou o marcador.
Dominando todos os aspectos do jogo, a equipa de Leonardo Jardim deu-se ao luxo de desperdiçar várias oportunidades flagrantes de golo, principalmente por intermédio de Lima e Mossoró. Mas lá acabou por fazer o segundo golo, por intermédio de Lima, na conversão de uma grande penalidade.
Pensando que o jogo já estava ganho, a equipa minhota cometeu um erro que uma equipa com o seu estatuto está proibida de fazer: adormeceu, pensando que o jogo estava ganho.
Mas não estava. Quando os jogadores do Braga se aperceberam que não podiam ter aquela atitude, o resultado já estava 2-2. Num abrir e fechar de olhos, o Paços de Ferreira, qual fénix, renasce das cinzas, e empata a partida. A miraculosa recuperação pacense começou ainda antes da primeira parte acabar (44 minutos), com Melgarejo a fazer um “chapéu” perfeito a Quim. Já na segunda parte, mais precisamente aos 59 minutos, Javier Cohene empatou a partida, na sequência de um pontapé de canto.
Leonardo Jardim, com toda a razão, não estava a gostar do que estava a ver. Ao não gostar de ver a sua equipa desperdiçar uma vantagem de 2 golos, decidiu apostar em Nuno Gomes e Paulo César, tirando Mossoró e Hélder Barbosa. A partir daí tudo voltou ao normal, com o Braga a repor a vantagem, ao marcar três golos, marcados por Lima, Hugo Viana e Paulo César.
Embora fosse completamente justificada, o volume da vantagem bracarense colocava um sabor de injustiça no jogo, pois os jogadores do Paços de Ferreira tiveram o mérito de acreditar que era possível chegar ao empate, quando estavam com dois golos de desvantagem.
Para Henrique Calisto, esta é uma estreia amarga aos comandos da equipa do Paços de Ferreira, e pode ver a sua equipa a ficar isolada no último lugar, caso o Rio Ave não perca com o Gil Vicente.
Quanto ao Braga, cumpriu a sua função, ganhando este jogo, mas venceu sem encantar. O Braga mantém-se nos lugares europeus, estando provisoriamente na 4ª posição.
Resultado final: 5-2
Beira Mar x FC Porto – Foi uma vitória arrancada a ferros. A atitude da equipa do Beira Mar foi surpreendente. Não é por acaso que a equipa aveirense tem a defesa menos batida do campeonato.
Não podendo contar com Defour, Vítor Pereira colocou Belluschi no seu lugar, em vez de adaptar James Rodriguez a 10 e colocar Varela no lugar do atacante colombiano. Foi um jogo semelhante ao jogo frente ao Zenit: a iniciativa atacante pertencia à equipa azul-e-branca, mas ao chegar à grande área a equipa portista era muito pouco esclarecida na hora de rematar à baliza. Apenas uma diferença: a postura do Beira Mar. Em vez de adoptar uma postura ultra-defensiva, a exemplo do que fez o Zenit, o Rui Bento colocou a sua equipa a jogar num mortífero contra-ataque, dando liberdade aos homens mais rápidos da equipa de Aveiro para fazerem estragos.
Foi num desses contra-ataques mortíferos que surgiu o golo do Beira Mar, por intermédio de Zhang, aos 33 minutos. Mas a equipa portista não esmoreceu perante esta contrariedade, e continuou a jogar da mesma forma como tinha jogado até aí: num futebol muito rápido, muito apoiado, sem hesitarem em rematar.
A grande vontade da equipa portista em mudar o rumo dos acontecimentos deu frutos apenas 6 minutos após sofrerem o golo aveirense, por intermédio de James Rodriguez, à passagem do minuto 39.
Estava feito o empate, que viria a durar até ao final da primeira parte. No reatamento, pertenceu a Hulk a primeira ocasião de perigo da segunda parte, com um remate que passou muito perto do poste direito da baliza do Beira Mar.
Apesar do sufoco portista, o Beira Mar continuou a criar chances de perigo. Douglas, aproveitando um adiantamento da defesa portista, esteve muito perto de marcar. Mas, como diz um ditado popular, “quem não marca arrisca-se a sofrer”, Hulk consumou a reviravolta no marcador, aos 59 minutos.
Estava feito o golo da vantagem, que fez com que as hostes azul-e-brancas abordassem o jogo daí em diante de uma forma mais serena. Colocava-se alguma justiça no marcador, embora o FC Porto estivesse longe de deslumbrar.
Mesmo em desvantagem, e com o FC Porto a controlar o jogo, o Beira Mar nunca deixou de acreditar que o empate era possível. Élio dispôs de uma soberana oportunidade para empatar a partida, mas falhou quando tinha a baliza completamente aberta, num dos últimos lances da partida.
Com esta vitória, o FC Porto coloca-se provisoriamente na liderança isolada, esperando confortavelmente no sofá pelo resultado do Benfica.
Resultado final: 1-2
Sporting x Nacional – Foi uma vitória sofrida da equipa leonina. Onyewu, qual “Capitão América”, foi o herói da noite, ao marcar o golo que deu a vitória. Magnifica moldura humana em Alvalade: mais de 40 mil adeptos presentes para assistir ao jogo. Magnifica também a postura do Nacional: mesmo a jogar com 10 desde o minuto 77, acreditou sempre que era possível chegar à igualdade, fazendo pairar incerteza no marcador até ao final da partida.
Como já se esperava, André Martins foi o escolhido por Domingos Paciência para substituir o castigado Shaars. O médio português demonstrou, durante toda a partida, ter sido a escolha mais acertada para o lugar, sendo um importante auxilio de Elias, permitindo a este estar mais presente no ataque leonino. Desde o início que o Sporting colocou uma enorme intensidade no jogo, fazendo ver que a equipa leonina queria resolver o jogo o quanto antes, sem facilitar.
O Nacional, mesmo desfalcado no ataque, teve uma postura um tanto quanto parecida à que o Beira Mar apresentou no jogo frente ao FC Porto: linhas muito juntas a defender, mas que se abriam para formar rápidos contra-ataques, muito devido à velocidade de Candeias, Rondon e Mateus.
Os leões chegaram à vantagem por intermédio de um lance de bola parada, cobrado por André Martins. Insua desviou a trejectória da bola e Onyewu, livre de qualquer marcação, cabeceou para o fundo da baliza de Marcelo.
Com o golo da vantagem, a equipa leonina aumentou ainda mais a pressão no jogo, à procura do segundo, que lhe dava a tranquilidade. Antes do apito para o intervalo, Wolfswinkel chegou mesmo a introduzir a bola na baliza, mas o lance foi anulado por fora-de-jogo de Capel, que foi o autor da assistência.
A postura do Sporting na segunda parte foi diferente. Mais cauteloso e mais calculista, a equipa leonina entrou na segunda parte com o objectivo de gerir a vantagem, mas sem deixar de ter como objectivo a baliza madeirense. Mas o Nacional, não só conseguiu tapar bem os caminhos para a sua baliza, como também conseguia chegar à baliza verde-e-branca. Rondón foi o primeiro a avisar a equipa do Sporting das intensões da equipa madeirense.
O Sporting estava em nítido decréscimo no jogo, e nem a troca de Carrillo por Pereirinha pareceu amenizar as coisas. O Nacional estava cada vez mais perigoso, e Rondón voltou a estar perto de marcar, com um remate à queima-roupa, mas Rui Patrício salvou a vantagem leonina.
Até que Stojanovic foi expulso, por acumulação de amarelos, mas nem o facto do Sporting estar em vantagem numérica serenou os ânimos dos jogadores leoninos, que tiveram que sofrer até final.
Com esta vitória, o Sporting não deixa fugir o comboio da frente, estando a 4 pontos do FC Porto, e provisoriamente a apenas 1 ponto do Benfica.
Resultado final: 1-0
Marítimo x Benfica – Era o jogo mais complicado à partida para a 12ª jornada, e o desenrolar da partida veio dar razão a esta previsão. O Marítimo tinha demonstrado que tinha capacidade pare vencer o Benfica, depois de o ter eliminado da Taça de Portugal, e estava invencível em casa. O Benfica, fruto do resultado dos seus rivais, estava obrigado a ganhar, para não deixar fugir o FC Porto e ver o Sporting a aproximar-se.
Para não repetir a história da Taça de Portugal, Jorge Jesus não facilitou e colocou o melhor onze em campo. Do lado do Marítimo, Pedro Martins reservou uma surpresa, ao colocar Heldon no lugar de Danilo Dias.
O Benfica entrou muito forte no jogo, mas a equipa da casa não deixou de criar alguns problemas à equipa encarnada. Foi de Rodrigo a primeira oportunidade do jogo, aos 13 minutos, mas remate saiu ligeiramente ao lado da baliza de Peçanha.
O Marítimo não se ficou atrás e Olberdam dispôs de uma grande oportunidade para marcar, com a bola a sair muito perto da baliza de Artur.
Garay, num pontapé de canto marcado por Bruno César, esteve muito perto de marcar aos 17 minutos. 10 minutos depois, foi a vez de Aimar estar perto de marcar, mas permitiu a defesa de Peçanha.
Aos 32 minutos, incrível perdida do Benfica! Combinação de Bruno César e Maxi Pereira, mas Cardozo, com a baliza completamente aberta, falha escandalosamente a baliza.
Até ao final da primeira parte, houve muito pouco futebol, com o jogo a tornar-se mais quezilento. Resultado: no regresso aos balneários, Roberto Sousa, Olberdam e Rafael Miranda estavam amarelados.
No reatamento da partida, não houve mudanças nas duas equipas. E, poucos minutos depois do recomeço da partida, o Marítimo ficou reduzido a 10 unidades. Olberdam, esquecendo-se que já tinha um cartão amarelo, entra a “matar” sobre Maxi Pereira, e vê o segundo cartão amarelo, e consequente vermelho. A expulsão obrigou Pedro Martins a alterar toda a estratégia montada para o resto do jogo.
Jogar com menos um não tirou a vontade da equipa madeirense de chegar à vantagem. Sami, numa jogada de contra-ataque, rematou ao lado da baliza de Artur.
Jorge Jesus decidiu arriscar um pouco, ao tirar Witsel e meter Saviola, mas sem resultados práticos. Os dois treinadores mexiam nas equipas, para ver se o nulo acabava, mas o jogo saia deste impasse.
De forma a redimir-se da perdida incrível da primeira parte, foi Cardozo que resolveu a partida a favor da equipa do Benfica.
Com esta vitória, o Benfica pôs fim à invencibilidade caseira do Marítimo, e volta a colar-se ao FC Porto na liderança do campeonato, e a recolocar o Sporting a 4 pontos de distância. Em relação ao Marítimo, esta derrota faz com que o Braga fique com os mesmos pontos da equipa insular.
Resultado final: 0-1
Resultados da 12ª jornada da Liga Zon Sagres:
















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