Ye Shiwen esmagou o recorde do mundo dos 400 metros estilos e, depois de abrir a boca de espanto, o mundo começou a desconfiar da proeza. Não tardaram a levantar-se dúvidas e insinuações sobre se a jovem nadadora chinesa teria recorrido a substâncias proibidas. Ela nega.
“Os meus resultados são fruto de muito trabalho e treino e nunca usaria substâncias proibidas. Os chineses têm as mãos limpas”, disse Shiwen, de 16 anos, citada pela BBC, depois de ter nadado a distância em 4m28,43s, pelo menos cinco segundos abaixo da sua melhor marca pessoal e muito para lá da anterior marca, de 4m29,45s.
Para reforçar a ideia da dimensão da proeza, Shiwen nadou os últimos 50 metros mais depressa do que o campeão olímpico masculino da disciplina, o americano Ryan Lochte.
As suspeitas neste caso foram claramente verbalizadas por um treinador norte-americano:
“A história do desporto diz-nos que de cada vez que vemos algo, e vou colocar aqui aspas, inacreditável, vimos mais tarde a saber que havia doping envolvido”, disse John Leonard, diretor-executivo da Associação Mundial de Treinadores, ao Guardian.
A insinuação indignou os chineses:
“Nunca questionámos o Michael Phelps quando ele ganhou oito medalhas de ouro em Pequim”, disse Jiang Zhixue, responsável pela luta anti-doping na China, à agência estatal Xinhua.
Além disso, eles têm uma explicação prática para a tal comparação com Lochte:
“Ela estava para trás ao fim de 300m e precisava de dar o máximo para ganhar no final, enquanto o Lochte já tinha garantido a liderança e não precisava”, defende Xu Qi, responsável pela natação olímpica chinesa.
A BBC falou com vários especialistas sobre o assunto, para quem a performance da jovem nadadora chinesa não é assim tão “inacreditável”.
“Os nadadores jovens conseguem encurtar tempos de uma forma que os mais velhos não conseguem”, defende o antigo campeão Ian Thorpe.
Arne Ljungqvist, responsável médico do Comité Olímpico Internacional, disse que toda esta especulação é triste:
“Levantar imediatamente suspeitas quando se assiste a uma performance extraordinária, para mim vai contra o fascínio do desporto”, diz.
As suspeitas em relação ao desporto chinês e doping são recorrentes, por causa de um historial pesado, sobretudo nos anos 80 e 90. As autoridades chinesas, que sempre defenderam que os casos positivos detetados derivavam de iniciativa individual de atletas e dirigentes, garantem ter-se empenhado numa campanha de limpeza do desporto.
Shiwen, como todos os campeões olímpicos, foi submetida a controlos anti-doping depois da final.
Fonte: Maisfutebol
















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