Crítica “Jobs”: Um filme sobre Steve Jobs, em que não nos é dado a conhecer Steve Jobs

 

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Steve Jobs tornou-se um ícone mundial com as suas inovações e pensamento sempre à frente das tendências actuais. Enquanto Jobs revolucionou o mundo com o seu trabalho, o seu tão aguardado filme biográfico, Jobs, não o faz. Apresenta-se como um relato competente da vida de Jobs, desde a sua época de estudante de faculdade ao período em que recuperou o controlo da Apple nos anos 90.

Ashton Kutcher interpreta o papel principal e faz um trabalho excelente ao fazer-nos esquecer quem é o sujeito por trás da maquilhagem. É no argumento de Matt Whiteley, contudo, que as falhas começam a mostrar-se. Jobs concentra-se em empacotar em cima uns dos outros certos momentos da vida da personagem num só filme; não constrói contexto à volta deles. O filme conta-nos coisas mas não as explica de modo satisfatório.

O resultado final é uma história de entretenimento, porém falaciosa, sobre a criação da Apple. O filme decorre com uma rapidez tal que quando testemunhamos momentos decisivos na vida de Jobs, não conseguimos (nem podemos) perceber porque motivo aconteceram, como ele se sentiu ou como é que esses momentos o fizeram ir para a frente. É tudo sobre chegar a um certo ponto, depois avançar para o próximo.

Kutcher está de parabéns e constitui um elemento pelo qual vale a pena ver o filme, pela sua maneira de se perder na voz e maneirismos de Jobs. Contudo, por vezes, ele desliza-se  e transforma-se de novo em Ashton Kutcher, normalmente nos momentos em que Jobs tem de gritar com alguém. Estes momentos melodramáticos acentuam ainda mais o aspecto superficial do enredo. Como pessoa, levaram-nos a acreditar que Jobs era um líder e um inovador, coisa que notamos. Mas também ficamos com a sensação de que ele era um cretino. A rapidez do enredo em desenvovler-se obriga o espectador a aceitar estas qualidades sem ter a opção de as poder processar.

Apesar destas falhas, Jobs consegue contar uma história fenomenal e isso ajuda a manter o público entretido. Existem as habituais cenas empresariais cheias de jargões que se tornam tensas e excitantes. Surgem detalhes interessantes sobre a história do computador e o elenco secundário, com Dermot Mulroney, Matthew Modine, Lukas Haas, J.K. Simmons e Josh Gad, fazem o melhor que podem com papéis unidimensionais.

Os fãs da Apple poderão ficar com opiniões mistas. Por um lado, têm a história que aguardam há imenso tempo no grande ecrã. Mas o filme tenta fazer muito, aprofundando pouco; o esforço é notável e o filme entretém, mas é mais uma versão PC da história que uma versão Apple.

 

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1 comentários

  1. O Ípsilon deu-lhe a classificação de "Medíocre". Não percebo como é que um filme tão aguardado acaba por ser a maior desilusão do cinema dos últimos tempos.

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