Lee Daniels realiza e Danny Strong escreve o filme que irá, com certeza, obter várias nomeações aos Óscares no próximo ano. Com um elenco de luxo e uma história forte, é um filme que retrata uma realidade passada, mas sempre presente. Falamos de O Mordomo.
Inspirado no artigo de Wil Haygood publicado no Washington Post, o filme é sobre um Afro-Americano que serviu como mordomo (Forest Whitaker) a sete Presidentes na Casa Branca, por mais de trinta anos. A partir deste ponto de vista único, são traçadas as mudanças dramáticas que abalaram a sociedade Americana, desde o movimento pelos Direitos Civis, até à Guerra do Vietname, e a forma como essas mudanças afetaram a vida e a família deste homem, tal como da sua comunidade.
A liderarem um elenco de luxo, Whitaker oferece uma performance forte e dedicada, juntamente com Oprah Winfrey, no papel de sua esposa, que mostra que não é uma mera celebridade (de recordar que Winfrey foi nomeada ao Óscar de Melhor Actriz Secundária em A Cor Púrpura, de Steven Spielberg). Um par brilhante, estes dois contracenam com outros tantos talentos como Terrence Howard e Cuba Gooding Jr, num retrato social e pessoal da vida da população negra americana enquanto vivem a repressão social.
Uma boa qualidade no filme é Daniels ter feito tudo para que a história seja toda contada na perspectiva afro-americana, uma vez que filmes que abordam os Direitos Civis apresentam normalmente protagonistas negros a serem ajudas por personagens principais de raça branca.
Apresentando imagens e vídeos de arquivo originais, Danny Strong oferece um argumento comovente, pessoal e bem construído de como o meio social e político afectou a vida da população negra, especialmente aqueles que trabalhavam na Casa Branca e tinham de manter a boca calada.
Forte candidato aos Óscares, Lee Daniels realiza um filme comovente e poderoso sobre uma realidade que nunca será esquecida e que merece ser visto.
















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