Duas semanas após a estreia do primeiro filme, Lars Von Trier apresenta ao público a conclusão da história poética de Joe, a auto-diagnosticada ninfomaníaca. Desta feita, encontramos a personagem na idade adulta, agora uma mãe que procura lidar com o seu vício de modo a que não interfira com as suas novas tarefas de maternidade.
Charlotte Gainsbourg regressa como Joe. A sua prestação no mesmo filme mantém-se; a personagem, apesar de fria e amarga, consegue transmitir uma profundidade emocional e filosófica ao público muito típica de Gainsbourg. Basta ver Anti-Cristo e Melancolia, ambos de Lars Von Trier, para constatar que Gainsbourg é a escolha ideal para papéis de mártir.
As cenas explícitas mantêm-se, apesar de menos frequentes que o Volume I, tal como seu contexto e falta de pretensão. A diferença é o peso das cenas. A personagem continua o seu caminho auto-destrutivo, e busca novas formas de prazer. Buscas estas que incluem mutilação física, sexo a três e, naquele que é o momento mais cómico no filme, uma técnica chamada de “silent duck” (para os curiosos, basta uma pesquisa rápida no Google).
Estas cenas, apesar de violentas, não se comparam com a parte mais negra do filme, que decorre paralelamente à acção e recorre de modo inteligente a Anti-Cristo, de Von Trier. Envolve o isolamento gradual de Joe e a sua rejeição da vida familiar que culmina com uma cena de virar o estômago, envolvendo o seu filho Marcel.
Enquanto que certamente não foi a intenção de Von Trier de fazer um filme “apreciável” com Ninfomaníaca Vol. 2, o filme não é tão emocionante como o seu antecessor, e até é possível dizer-se, metaforicamente, que o prazer todo de Ninfomaníaca chegou cedo demais. As diversas tangentes que o realizador focou no primeiro filme foram mais surpreendentes e, ao mesmo tempo, ridículas e reflexivas.
















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