Capitão América pode não flectir tanto músculo de bilheteira como os seus colegas Marvel Homem de Ferro e Thor, mas existe uma forte base de fãs que juram aliança a Capitão América: O Primeiro Vingador. Estes fiéis entusiastas não irão ficar desapontados com esta segunda entrada na série, que deu o ousado passo (para a Marvel) de reduzir o espectáculo CGI para um mínimo relativo a favor de um retorno aos prazeres de uma boa cena de acção, surpreendente desenvolvimento de personagem e suspense intrigante.
Se O Primeiro Vingador foi um sólido filme de acção da IIª Guerra Mundial com uma reviravolta HYDRA, Capitão América: O Soldado de Inverno tem um pé em território de super herói mas o outro numa Washington D.C ao estilo da Guerra Fria. O primeiro filme lucrou 371 milhões de dólares mundialmente e este novo poderá fazer muito mais, sem esquecer o pequeno impulso que ganhou de Os Vingadores.
Notável por ter Robert Redford a interpretar um significante papel no género de blockbuster que ele tão minuciosamente evitou na sua lustrosa carreira, o filem usa mesmo um aspecto importante da iconografia do astro veterano como inspiração estilística, nomeadamente o ethos circundante do filme protagonizado por Redford Os Três Dias do Condor (1975), thriller de espionagem de Sydney Pollack. E tal como o seu herói, pelo menos um dos vilões da história também tem as suas raízes num conflito histórico real, um dos factores que fornece os personagens baseados em BD um pouco mais de ressonância e peso no mundo real do que é a norma.
Quando visto pela última vez em 2011, o Capitão América (ou seja, Steve Rogers) tinha acabado de derrotar a organização Nazi HYDRA, apenas para acabar congelado em gelo. 70 anos mais tarde, Rogers (Chris Evans) tem uns divertidos ajustes culturais a fazer, mas o seu intinto natural para se manter um tipo analógico e não digital corresponde bem com a sua natureza nostálgica.
Isto não serve para dizer que o filme é desprovido de hardware avançado. O grande evento nos quadros para a SHIELD é o lançamento iminente de três gigantes helicarregadores armados com armas capaz de tornar qualquer táctica de guerra obsoleta. De volta temos o director Nick Fury (Samuel L. Jackson), acompanhado de Alexander Pierce (Redford), um executivo da SHIELD que tambem dirige o Conselho de Segurança Mundial
Os argumentistas Christopher Markuns e Stephen McFeely regressam para aprofundar a trama, explorando a parte dramática da trama, ligando pontos importantes como o que sucedeu a primeira paixão de Rogers, Peggy Carter, agora uma idosa acamada, desenvolvendo a divertida relação entre Rogers e Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson), e colocando dúvidas sobre a verdadeira fidelidade de certos agentes SHIELD e gradualmente abrindo caminho para o surgimento no novo inimigo do Capitão, o Soldado do Inverno (Sebastian Stan).
Apresentando isto e outros inimigos é mais que suficiente para manter Capitão América: O Soldado de Inverno a vibrar com perseguições de veículos, ataques surpresa, tiroteios, lutas de punho, salvamentos milagrosos e derrotas inesperadas. A acção é voluminosa, quando envolve máquinas, está bem elaborada. Contudo, quando os humanos estão a lutar um contra um, os realizadores Anthony e Joe Russo perdem a cabeça, esqueçendo a acção credível e excitante no frame ou fazendo cortes muito rápidos. A intenção poderá ter sido a criação impressionista de uma cena de acção e não uma lúcida, mas acaba parecendo um pouco confuso.
Felizmente, a história desenvolve alguma intriga genuína; é difícil saber quem está a puxar os cordéis e quem é sincero e quem não está a preparar coisa boa. Para enredo e envolvimento da audiência, isto é um avanço à frente de qualquer outra entrada da Marvel: sente-se como um filme real e não apenas uma produção com momentos ooh’s e aah’s para os fãs. A coisa mais esquecível é o 3D, que não acrescenta muito e é só uma estratégia dos estúdios para ganhar dinheiro.
Depois de parecer um estranho em Os Vingadores no seu fato velho com os seus “menos que super” poderes comparado com os seus colegas, Steve Rogers tem um novo fato e define-se como uma figura de quem podemos gostar e não apenas um homem com músculo, e Evans interpreta-o perfeitamente. Anthony Mackie voa abordo desta aventura no novo, às vezes cómico, papel de um ex-páraquedista que, após colocar um par de asas, se torna no Falcão, capaz de fazer grandes proezas aéreas, quando não está atrapalhado com a mecânica das asas. O Soldado do Inverno de Stan, com um devastador braço de metal, prova-se um inimigo muito bem parecido. Mas de uma perspectiva dramática, o maior interesse recai em Jackson e Redford, dois grandes veteranos cujas presenças dão algum peso à história e cujas personagens têm certas aventuras e desventuras antes do fim do filme.
Quando esse fim chega, o espectáculo é, numa palavra, enorme. Para fãs que se possam esquecer de ficar até ao fim de um filme da Marvel, não há uma mas duas cenas teaser no fim que vão querer ver; uma durante os créditos, outra após a sua conclusão.
















0 comentários