Vamos directos ao assunto sobre Divergente, o mais recente concorrente no campo das franchises de filmes de ficção científica para os jovens adultos: será que vai derrubar The Hunger Games do topo? Sem sombra de dúvida que não.
Tem uma premissa muito semelhante a outras histórias de adolescentes – liderada por uma heroína relutante que faz justiça quando a ocasião o exige – que se unem para salvar um mundo quebrado, apesar da interferência de um adulto poderoso (neste caso, uma adulta interpretada por Kate Winslet) concentrado em derrubar revolucionários.
Em contraste, Divergente, o primeiro de três filmes baseados na trilogia de Veronica Roth, é uma película que marcha sobre uma fórmula que nunca nos atrai para o espaço emocional da heroína Beatrice Prior (Shailene Woodley), com o seu enredo pouco recheado.
Contrariamente à engenhosa e sempre vigilante Katniss Everdeen de Jennifer Lawrence em The Hunger Games, Beatrice, que em breve muda o nome para o sonoramente mais catchy, Tris, não é tão rápida a causar impacto ou inspiração em Divergente; ela apenas acompanha o seguimento da história. Um pouco mal humorada aqui, desafiante ali, uns quantos murros no saco, fazer corridas e pronto. Está longe de ser uma rapariga em chamas.
A vida é dura na Chicago distópica de Divergente: uma cidade no futuro deixada em semi-ruínas, cercada por uma muralha electrificada a bloquear um mundo exterior hostil. Para manter a paz, a sociedade é dividida em facções que vivem e trabalham em grupo, tendo por base as suas habilidades e personalidade: Abnegação (os altruístas), Cordiais (os pacificadores), Cândidos (os honestos), Eruditos (os inteligentes) e os Intrépidos (os corajosos).
A família Abnegação de Tris, o pai (Tony Goldwyn), a mãe (Ashley Judd) e o irmão Caleb (Ansel Elgort) são membros do clã modesto que pratica o bem, mas chega o dia em que os jovens com 16 anos se preparam para deixar as suas casas e famílias para se submeterem a um teste que irá determinar a facção a que cada um pertence, culminando numa cerimónia de escolha digna de relembrar a cerimónia de selecção de equipas de Harry Potter.
A escolha é livre: permanecer na facção nata ou não, mas é uma decisão irrevogável. Aqui é a parte mais interessante do filme em que assistimos a uma mistura de rebeldia e auto-determinação com a angústia de sair de casa e esquecer a infância e os pais.
A sociedade diz que a facção nasce com a pessoa, mas Tris tem um segredo: o seu teste revelou que ela é Divergente, isto é, pode ser membro de qualquer grupo, mas pertença de nenhum. Segredo este que é perigoso para o Governo, uma vez que os Divergentes são considerados uma ameaça para a paz. Não há espaço para pessoas assim neste mundo, como sibila ameaçadoramente a líder Erudita Jeanine (Kate Winslet).
Tris choca a família quando se alinha com os Intrépidos, procurando passar despercebida com a sua condição, nem que isso inclua saltar de prédios, praticar combates violentos e ser submetida a vários testes – graças a uma terapia de droga - que a fazem enfrentar os seus medos. Então, Tris apercebe-se que Jeanine tem planos para tornar os Eruditos os únicos líderes, usando os Intrépidos como suas tropas.
Não é que não queiramos que Tris tenha sucesso. Afinal, estamos a investir perto de duas horas e meia a acompanhar o seu processo, mas não existe química suficiente entre as próprias personagens, quanto mais entre as personagens e o público.
A romancista Roth tinha 22 anos quando Divergente foi publicado e a sua visão pouco simplista e juvenil de relacionamentos, conflitos e autoridade se mostra bastante no argumento de Evan Daughterty (Branca de Neve e o Caçador) e Vanessa Taylor (Guerra dos Tronos). O realizador Neil Burger, que revelou a sua veia artística em Sem Limites e Um Homem com Sorte, explorou bastante os terrenos de Chicago, incluindo a roda gigante em Navy Pier.
Woodley é uma actriz talentosa, tendo por destaque Os Descendentes e o maravilhoso The Spectacular Now, mas ela é decepcionada com a história à sua volta, fazendo com que a sua performance seja pouco proveitosa. Vá lá, temos a Oscarizada Kate Winslet a agraciar-nos com a sua presença. A verdade é que a história pode resultar em livro, mas em filme nem tanto.
A Summit Entertainment, que nos trouxe a franchise Saga Twilight, vê claramente as próximas sequelas Insurgente (2015) e Convergente (2016) como a próxima hot stuff para o público adolescente fã do pós-apocalíptico.
No entanto The Hunger Games: A Revolta Parte 1 estreia em Novembro deste ano, com a Parte 2 no ano seguinte, o que poderá colocar estas duas franchises a combater pelo primeiro lugar nas bilheteiras, apesar de já termos uma pequena ideia de quem sairia vencedora. Katnis e Tris a combaterem? Mandem vir.
















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