Marretas Procuram-se começa segundos depois da conclusão do seu antecessor, Os Marretas. As ruas em frente ao Teatro dos Marretas ainda estão cheias de pessoas, ainda se consegue ouvir as últimas notas de Life’s a Happy Song a ecoar no ar, e esperem: aqueles são o Jason Segel e a Amy Adams virados de costas para nós? (Na verdade não: nenhum dos personagens humanos de Os Marretas repetem a sua aparição neste filme). Existe um breve momento de incerteza narrativa – para onde vamos a partir daqui? – até que o Cocas e Companhia começam outro número musical que serve como declaração de um propósito: Vamos fazer uma sequela, é o que fazemos em Hollywood. E toda a gente sabe que a sequela nunca é tão boa como o primeiro. Palavras bem ditas, esta auto-crítica inicial mostra-se muito verídica.
O filme, o segundo capítulo do reboot da franchise iniciado em 2011 e oitavo filme no total, não é um filme mau de todo: as crianças irão desfrutá-lo, e há gags inteligentes suficientes para manter a audiência mais velha entretida. Mas ao filme falta-lhe a ternura e riqueza nostálgica que fez d’Os Marretas uma delícia imperdível. Ao invés de nos apresentar uma tocante fábula sobre crescimento pessoal, encontrar aceitação e montar um espectáculo, a sequela oferece uma mistura de ondas de crime internacionais, identidades trocadas e fugas da prisão.
O resultado é uma película doida e caótica, recheada com diversões menores. As muitas e muitas participações especiais de celebridades incluem Christoph Waltz (a dançar a valsa), Lady Gaga, Celine Dion, Josh Groban, Salma Hayek, Ray Liotta, Tom Hiddleston, Frank Langella e demasiados mais para mencionar aqui. As piadas incluem referências a O Silêncio dos Inocentes, Boyz II Men, Danny Trejo, O Espião que me Amou, e, ainda mais hilariante, a O Sétimo Selo. Tal como na última entrada, as canções foram escritas por Bret McKenzie, mas apesar de manterem as letras sonantes que ficam na cabeça, nenhuma chega ao nível da oscarizada canção Man or Muppet.
Mesmo sendo um prazer passar tempo com os Marretas mais uma vez, infelizmente não há oportunidade para desenvolver alguma ligação emocional genuína. Apesar de Marretas Procuram-se ser constituído por muitas partes agradáveis, acaba por não fazer justiça às mesmas. Em Os Marretas, as actuações humanas de Segel e Adams ajudaram a dinamizar as actuações dos bonecos. Desta vez, por contraste, as estrelas de carne e osso não são nada mais nada menos que caricaturas parecidas com os seus colegas de de tecido e fios: Tina Fey, a mastigar as vogais como um Chekov de segunda categoria (Pavel, não o Anton); Ty Burrel a interpretar um Steve Martin a interpretar um Jacques Closeau; Ricky Gervais a fazer esquemas sorrateiramente. São todos muitos bons dentro dos confins dos seus papéis, mas os ditos papéis mais parecem aparições surpresa extendidas.
Portanto, se estiver com disposição para um bocado de divertimento leve, por quem é veja Marretas Procuram-se. Mas faça-o com expectativas limitadas. É tal como nos avisaram no início: uma sequela nunca é tão boa como o primeiro.
















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